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Muito obrigado, Stan Lee

Por Júlio Black

14/11/2018 às 07h05 - Atualizada 16/11/2018 às 13h48

Oi, gente.

A ah miga leitora e o ah migo leitor realmente acreditam que Stan Lee morreu? Mas que jovens de pouca fé… Ah migos e ah migas, contemplem uma das poucas verdades absolutas desta vida: Stan Lee é imortal. Lendas e gênios nunca morrem. Podemos ficar tristes por saber que aquele corpo se foi, mas suas ideias, suas histórias, suas criações – em parceria com os mestres do lápis Jack Kirby, Steve Ditko, Don Heck, Gene Colan – sempre estarão vivas no coração e na memória das pessoas, mesmo aquelas que jamais tenham colocado as mãos em uma revista em quadrinhos da Marvel.

Mais que a tristeza, o que existe é o sentimento de gratidão. Por isso, pelo menos por hoje, vamos agradecer a Stan Lee pela existência do Homem-Aranha, Quarteto Fantástico (Senhor Fantástico, Mulher Invisível, o Coisa, Tocha Humana), os X-Men originais (Anjo, Ciclope, Fera, Jean Grey, Homem de Gelo), o Professor Xavier, Homem-Formiga, Vespa, Hulk, Thor, Demolidor, Gavião Arqueiro, Doutor Estranho, Pantera Negra, Nick Fury, Homem de Ferro, o Ancião, Feiticeira Escarlate, Surfista Prateado, os Inumanos, Adam Warlock, Balder, Capitão Marvel, Odin, Doutor Druida, o Tribunal Vivo, Groot, Mercúrio, Falcão, Mulher-Hulk, Hércules, Viúva Negra, Youndu, Homem-Coisa. Por resgatar o Capitão América, Namor, o Tocha Humana original, todos eles heróis com quem crescemos e, muitas vezes, em quem nos inspiramos.

Vamos agradecer pelos vilões ou algo que vai além disso, como as criaturas cósmicas. Doutor Destino, Galactus, o Vigia, Eternidade, Duende Verde, Camaleão, Kraven, Doutor Octopus, Batroc, Magneto, Fanático, Colecionador, Homem-Púrpura, Mysterio, Electro, Camaleão, Unus, General Ross, Loki, Hela, Fin Fang Foom, os Sentinelas, Homem-Absorvente, Barão Mordo, Rei do Crime, Kaecilius, Modok, Mephisto, Escorpião, Abominável, Surtur, Dormammu, Mandarim, Mister Hyde, Immortus, Barão Zemo, Lagarto, os skrulls, os kree, o Alto Evolucionário, Homem Radioativo, Ronan o Acusador, Conde Nefária, Rhino, a Suprema Inteligência Kree, Espadachim, o Homem de Titânio, Bolivar Trask, Ego – O Planeta Vivo.

E também devemos agradecer pela S.H.I.E.L.D., a Hidra, a I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas), Tia May, Gwen Stacy, Harry Osborn, Alicia Masters, Betty Ross, Robbie Robertson, Jane Foster, Karen Page, Shalla-Bal, Franklin Richards, Foggy Nelson, Tio Ben, Mary Jane Watson, Pepper Potts, Betty Brant. E nosso amado J. Jonah Jameson, claro.

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Todos nós podemos agradecer a Stan Lee por algum motivo. Eu mesmo não tinha ideia do quanto teria a agradecer quando, 30 anos atrás, li pela primeira vez uma revista da Marvel (a edição 43 de “O Incrível Hulk”, no formatinho da Abril). Na época, aquele “Stan Lee apresenta” que vinha na abertura de cada história me fazia pensar em um cara jovem, dinâmico, cheio de ideias. Mal sabia que se tratava, então, de um senhor de 65 anos que havia criado, no início da década de 1960, toda uma série de personagens que, descontando seus dons extraordinários, poderiam ser tão humanos quanto nós, com seus problemas, defeitos, personalidades, traumas, conflitos, moral, ética, famílias, responsabilidades.

Obrigado, Stan Lee, por ensinar o óbvio, que grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Por ensinar a importância da família com o Quarteto Fantástico. A (tentar) não me deixar levar pela arrogância, sem precisar passar por tudo que Stephen Strange passou. A respeitar a diversidade, a entender que o que é diferente merece tanto respeito quanto meus semelhantes, lição defendida pelo Professor Xavier e seus X-Men. Que muitos obstáculos podem ser superados, com o Demolidor. Que existem ideais pelos quais valem a pena lutar, assim como o Capitão América fez tantas vezes. E que podemos e devemos, sim, questionar mesmo aqueles que mais admiramos, como foi o caso do próprio Capitão em tantas oportunidades.

Mais uma vez obrigado, Stan Lee, por ter criado personagens que, mesmo sem os seus roteiros, acompanhamos com tanta admiração por anos a fio. O Demolidor de Frank Miller; o Quarteto Fantástico de John Byrne, que me levou aos confins do espaço e mostrou que tudo, absolutamente tudo, pode ter um papel importante em nossa existência; a morte de Gwen Stacy nas páginas do Homem-Aranha; “O demônio na garrafa” do Homem de Ferro; “Dias de um futuro esquecido”, com os X-Men. E “A saga da Fênix Negra”, claro, em que descobrimos que o poder é capaz de enlouquecer o ser humano, mas o amor pode realizar o maior e último dos sacrifícios.

Mas, principalmente, muito obrigado, Stan Lee, por ter ampliado os limites da minha imaginação. Ter feito com que viajasse por mundos extraordinários, civilizações avançadas, dimensões alternativas. Ter criado personagens que me acompanharam pela adolescência, a vida adulta, e que espero apresentar para meu filho no futuro. Por ter aumentado meu amor pela leitura, pelos quadrinhos, a cultura em geral e a cultura pop em particular. Por ter sido um dos motivos que me fez sonhar em ser, um dia, jornalista, para escrever – veja só – sobre os quadrinhos que tanto amava e o principal responsável por despertar essa paixão que só aumenta.

É por essas e muitas outras razões que Stan Lee continuará vivo até o final dos tempos. Seu nome pode se apagar no tempo, mas enquanto seus personagens, suas histórias, inspirarem gerações, Stan “The Man” continuará sendo eterno.

Muito obrigado por tudo, Stan Lee. Até pelo que não consigo imaginar.

Excelsior.

Júlio Black

Júlio Black

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