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Os novos trens que a gente ouve

Por Júlio Black

06/03/2019 às 10h20 - Atualizada 06/03/2019 às 10h20

Oi, gente.

Mais e mais coisas novas aparecem aqui e a li para ouvirmos, então quem somos nós para dizer que não vamos. Desta vez, tiramos algumas horas na última semana para conferir o aguardado “Black album”, do Weezer; o disco homônimo – e póstumo – de Cherushii e Maria Minerva; e “O mar vai muito mais além do meu olhar”, do gaúcho Wander Wildner. Atravessando os mais variados gêneros, partindo do indie rock-pop, ao punk brega, com uma parada na música eletrônica dançante, há opções para quase todo tipo de cidadão.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

WEEZER, “Weezer” (ou “Black album”)

Como foi comentado há pouco mais de um mês, no lançamento do equivocado “Teal album”, há quase 20 anos aguardamos pelo lançamento de mais um grande disco do Weezer. Infelizmente, não será o “Black album” a redenção do quarteto comandado por Rivers Cuomo.

Verdade seja dita, o trabalho lançado na última sexta-feira (1º) consegue ser superior ao disco de covers e a “Pacific Daydream” (2017), e por isso nas primeiras audições você até fica animado e elogia para os amigos (mal aí, Del Guiducci). Porém, assim como num “Bohemian Rhapsody” (o filme, por favor), à medida que as audições se repetem você percebe que a euforia foi desmedida. Tem sintetizador demais, guitarra de menos, uma ou outra faixa mais dançante… É salutar quando um artista tenta sair da chamada zona de conforto, mas no caso do Weezer parece mais desespero que outra coisa a mistura de rock dançante com coisas “mudernas” que ouvimos na maior parte do álbum.

Assim como todos os trabalhos depois do “Green album”, o “Black album” tem umas três ou quatro músicas que valem a pena, entre elas “Can’t knock the hustle”, “Too many thoughts in my head” e “I’m just being honest”. Mas aí você se cansa e vai ouvir os clássicos “Tired of sex”, “Buddy Holly”, “Pink Triangle”, “Mykel and Carli”, “Island in the sun” e a suprema “The good life”.

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CHERUSHII & MARIA MINERVA, “Cherushii & Maria Minerva”

É difícil acreditar que o EP que reúne a americana Chelsea Faith Dolan – mais conhecida como Cherushii – e a estoniana Maria Minerva seja um álbum póstumo. Mas infelizmente é assim, uma vez que Chelsea foi uma das 36 vítimas fatais do incêndio que atingiu o armazém mantido por um coletivo de artistas na cidade de Oakland, nos Estados Unidos, em dezembro de 2016. A tragédia abortou uma parceria iniciada em 2013 e que havia rendido a base de seis músicas do EP (mais um remix), concluído posteriormente por Maria Minerva numa bela homenagem à parceira morta, e tão bom de ouvir e dançar que a tristeza passa longe durante a audição.

“Cherushii & Maria Minerva” começa maravilhosamente com “A day without you”, que conta com uma batida no início e final que alguns poderiam remeter ao nosso samba. O EP prossegue com outras faixas que dão gosto de colocar na fita, como “Boyfriend shirt”, “Thin line” e “This must be the place”, misturando batidas modernas, sombrias, referências à música eletrônica dos anos 80 e 90, disco music, o techno de Detroit e house music.

WANDER WILDNER, “O mar vai muito mais além no meu olhar”

Há mais de duas décadas o ex-Replicantes vem brindando os fãs com pérolas do que se convencionou chamar de punk brega, presentes em álbuns como “Paraquedas do coração” e “Baladas sangrentas” e outros tantos. Clássicos não faltam: “Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo”, “Quase um alcoólatra”, “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”, “Eu queria morar em Beverly Hills”, “Mantra das possibilidades”.

Para alegria dos fãs, “O mar vai muito mais além no meu olhar” segue a linha adotada pelo bardo gaúcho, desta vez menos punk nas melodias porém sempre desbragadamente romântico nas letras. A voz peculiar (e às vezes a falta dela) de Wander Wildner dá ainda mais brilho a músicas como “O sinal”, “Campeche Beach”, “A dança de tudo” e “Éter na mente”.

Ainda terei uma camisa escrita eu te amo.

Júlio Black

Júlio Black

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