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20 apresentar 20 álbuns de 1992 – Parte 1

Por Júlio Black

01/06/2022 às 10h57 - Atualizada 01/06/2022 às 10h57

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Oi, gente.

Chegou a hora de iniciar nossa tradicional série com os grandes álbuns lançados há 30 anos, que chega à sua quinta temporada. Depois de relembrarmos nada menos que 105 discos lançados entre 1988 e 1991 (pois é, em 2019 foram 25 e nada menos que 40 em 2021), vamos resgatar 20 álbuns de 1992 que merecem ser relembrados por quem já era gente grande na época ou descobertos pelos novinhos e novinhas que sequer chegaram na casa dos trinta.

O ponto de partida da “classe de 1992” tem os álbuns de Nick Cave & The Bad Seeds, Lemonheads, Morrissey e Tom Waits, mas a ah miga leitora e o ah migo leitor podem ter certeza que muita coisa boa vem por aí nas semanas e meses seguintes. Difícil vai ser ficar apenas nas duas dezenas de grandes discos.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

NICK CAVE & THE BAD SEEDS, “Henry’s dream”
Nunca é demais repetir: Nick Cave é meu pastor das trevas, e nada me faltará. “Henry’s dream”, sétimo álbum do artista australiano, é mais um de seus clássicos impregnados de referências bíblicas, tragédias, dor, pecado, culpa, sofrimento, melancolia, pessoas que comeram o pão que o capeta sapateou e até mesmo músicas sobre amor, acompanhado pelos sempre eficientes Bad Seeds.

Não faltam em “Henry’s dream” canções vigorosas, arrebatadoras e sombrias, incluindo “Papa won’t leave you, Henry”, “Brother, my cup is empty”, “Jack the ripper”, “I had a dream, Joe” e Straight to you”. São pouco mais de 41 minutos de um mergulho imperdível na infinita batalha entre luz e trevas que é a vida de Nick Cave.

LEMONHEADS, “It’s a shame about Ray”
O sucesso improvável de “Nevermind”, do Nirvana, foi o responsável por transformar os anos 90 na grande década do rock alternativo, permitindo a artistas com uma pegada mais pop surfarem a mesma onda e, assim, chegar à MTV, rádios, grandes festivais e, com um pouco mais de sorte, vender alguns milhões de discos. E o Lemonheads foi uma das bandas que melhor aproveitaram esse fenômeno.

O grupo liderado por Evan Dando já havia lançado quatro álbuns sem maiores repercussões, mas a mistura de rock alternativo, power pop e até folk music de “It’s a shame about Ray” era o tipo de trilha sonora ideal para o jovem norte-americano ouvir após assistir ao episódio da semana de “Beverly Hills 90210” (“Barrados no baile” no Brasil) e se sentir “o alternativo” – não por culpa da banda, que só fazia e bem a sua parte. O Lemonheads ficou popular, Evan Dando foi considerado um dos homens mais bonitos do mundo e a regravação de “Mrs. Robinson”, de Simon and Garfgunkel (incluída em versões posteriores do disco), só aumentou o hype em torno da banda.

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Se o Lemonheads se tornou o queridinho da turma que gastava 100 dólares numa camisa de flanela de grife, foi porque o seu som era palatável para o público que queria brincar de indie, mas palatável no sentido de criar ótimas canções que misturava guitarras com a boa música pop. Basta ouvir a faixa-título, “Confetti” e “My drug buddy” para entender por que o Lemonheads teve os seus 15 meses de fama.

MORRISSEY, “Your arsenal”
Acreditamos que a pergunta “Morrissey é racista e xenófobo?” tenha sido respondida, infelizmente, com as diversas declarações imperdoáveis do cantor inglês nos últimos anos. Mas essa é uma questão que vem sendo discutida desde o início de sua carreira solo (“Bengali in platforms”, de “Viva hate”), e que em “Your arsenal”, seu terceiro trabalho de estúdio após a implosão dos Smiths, teve em “The national front disco” novo motivo para polêmica – mas o artista jurou na época ser uma ironia com a extrema-direita britânica, então cada um com sua sentença.

Polêmicas à parte, “Your arsenal” era o grande disco solo que Morrissey precisava lançar para sair definitivamente da sombra de seu ex-grupo. Se sua estreia em 1988 foi promissora, a sequência foi marcada pela irregular coletânea de singles “Bona drag” (1990) e o pavoroso “Kill uncle” (1991). Mas eis que o destino ajudou o mancuniano a encontrar seu caminho, com novos parceiros musicais e um produtor que o ajudou a sair da pasmaceira de algumas canções totalmente esquecíveis.

Os novos parceiros musicais foram os guitarristas Alain Whyte e Boz Boorer, dois rockabillies que injetaram adrenalina musical nas letras do cantor – Boorer, aliás, segue com Mozz até hoje. Já o produtor era Mick Ronson, guitarrista de David Bowie na fase Ziggy Stardust, que fez de “Your arsenal” um festival de glam rock da melhor qualidade.

Além de “The National Front Disco”, o disco tinha pauleiras como “You’re gonna need someone on your side”, “Glamorous glue”, “Tomorrow” e baladas como “We’ll let you know”, “Seasick, yet still docked” e ”I know it’s gonna happen someday”, regravada por ninguém menos que o ídolo David Bowie.

TOM WAITS, “Bone machine”
Inegavelmente, Tom Waits é artista de personalidade ímpar, e “Bone machine” é ótimo exemplo do estilo bem peculiar do cantor e compositor norte-americano. Produzido pelo próprio Waits, o álbum levou o Grammy de melhor álbum de música alternativa no ano seguinte.

Com participações de nomes como Keith Richard, Les Claypool (Primus) e David Hidalgo (Los Lobos), o décimo-primeiro álbum de estúdio de Tom Waits foi gravado no porão dos estúdios Prairie Sun, na Califórnia (“Apenas um chão de cimento e um aquecedor de água”, disse ele na ocasião do lançamento), e é marcado por uma poesia sombria sobre morte e caos, além da voz rasgada, boêmia e “encachaçada” do cantor.

Quanto às composições, “Bone machine” tem uma musicalidade estranha, áspera e crua, que resulta em canções marcantes como a popular “I don’t wanna grow up” (regravada pelos Ramones e Scarlett Johansson), “Earth died screaming”, “Goin’ out West”, “That feel”, “Dirt in the ground” e “Murder in the red barn”.

Júlio Black

Júlio Black

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