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Rostos nus

Há discordância sobre o momento certo para deixarmos de usar as máscaras que nos acompanharam e protegeram ao longo dos últimos meses. Se a adaptação foi difícil, em breve vamos estar nos preparando para nos acostumarmos novamente a ver rostos nus por aí

Por Renan Ribeiro

08/10/2021 às 07h00 - Atualizada 07/10/2021 às 20h55

Rostos nus

A Prefeitura de São Paulo encomendou nesta semana um estudo técnico à Secretaria de Saúde sobre a possibilidade de eliminar a obrigatoriedade do uso de máscaras na cidade. A princípio, a regra seria para que o Equipamento de Proteção Individual seja suspenso em áreas externas. As notícias sobre a pandemia de coronavírus vêm trazendo esperanças, de fato. Há uma diminuição na ocorrência de óbitos e de internações provocadas pela doença. Mas mesmo com a melhora em aspectos importantes, ainda temos a circulação de variantes e uma vacinação que avança bem, mas ainda precisa atingir a muita gente.

Descobrir os rostos é um passo gigante, se pensarmos no contexto que vivemos há mais de um ano e meio. Simbolizaria que há confiança de que não estaremos expostos, que os riscos e a doença não mais representariam perigo. É o momento com o qual boa parte da população deve sonhar. Voltar a andar nas ruas e respirar livremente, sem a necessidade de filtros, sem o medo de contrair e levar o vírus para dentro de casa é um sonho. Uma realidade que pode estar cada vez mais próxima de nós, pelo menos, eu quero acreditar nisso.

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Outro ponto que chamou a atenção na repercussão da ação da Prefeitura de São Paulo é que a ideia partiu de experiências de outros países, entre eles, Portugal. No país europeu, desde setembro o uso obrigatório de máscaras foi suspenso, permanecendo como exigência para entrar em locais fechados. O que baseou a decisão foi a taxa de vacinação do país, que, de acordo com a Our World In Data, chega a 84,7%. Enquanto no Brasil, o percentual de pessoas com a vacinação completa é 44,8%. Na capital São Paulo, há mais de 81% de cobertura vacinal. Os estudos devem mostrar se a medida poderá ser, de fato, implementada.

Há alguns meses, quando a adoção do equipamento foi recomendada, muitos torceram o nariz, acharam que “não era para tanto”, e os cientistas e especialistas explicaram inúmeras vezes qual é a importância que a máscara tem em um contexto como esse. Ainda há quem permaneça resistente ao uso até hoje. Mas o que podemos afirmar é que adotar esse cuidado evitou que a tragédia não fosse ainda maior e mais letal.

Enquanto sonhamos com a possibilidade de voltar a ter diálogos sem a mediação de máscaras, com o relaxamento do distanciamento que permita voltar a abraçar as pessoas que amamos sem riscos, pelo menos por enquanto, ainda é prudente e aconselhável manter o cuidado. Quem sabe no próximo ano, ao invés de cobrirmos o rosto com uma máscara de proteção, possamos comemorar ter vencido esse momento, usando as coloridas máscaras de carnaval? O que temos de certo no horizonte é que, assim como nos acostumamos com o uso da máscara, também vamos ter que nos adaptar para o momento em que vamos, finalmente, poder tirá-las com segurança.

Renan Ribeiro

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