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O afeto bate na porta

Por Renan Ribeiro

04/09/2020 às 07h00 - Atualizada 03/09/2020 às 19h36

Houve épocas em que não tinha como presentear. Não que fosse necessário, ou que me sentisse diretamente cobrado. Poder presentear sempre me fez um bem danado. Não precisa ser nada grande, caro ou chamativo. Quando tudo o que eu podia fazer era um cartãozinho de papel comum, não hesitava em entregá-lo. Também já dei e recebi barrinhas de chocolate, palavras e até mesmo abri os braços para acolher uma pessoa em um abraço.

A surpresa do não esperado é o que me toca. Aquela alegria que não se consegue disfarçar. A falta de jeito e o não ter palavra para expressar o contentamento à altura. É quando a pessoa se dá conta de que, por um tempo, você inventou qualquer meio de pensar nela e traduziu esse sentimento em um objeto, ou em uma ação.

A campainha tocou no meio da tarde de um dia sem graça. Fui atender meio desconfiado, porque afinal, ninguém em casa tinha pedido ou comprado nada. O moço me entregou um embrulho simples e lindo. Que não continha o nome do remetente e nem do destinatário. Só descobri que era para mim, porque o o motoboy ligou para a solicitante da entrega e disse o nome de uma grande amizade.

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Fiquei um tempo com o pacote nas mãos, ainda sem entender muito bem. Não era meu aniversário, nem estávamos próximos de nenhuma data comemorativa. Confirmei por mensagem que se tratava de um presente e se era, de fato, para mim. Quando abri, o objeto me deixou emocionado. É algo que carrega um significado grande. Sei que ali, além de carinho, havia um olhar muito especial sobre mim.

Agradeci a gentileza, que chegou na hora certa, com as palavras que eu consegui juntar na hora. Até aquele momento, não estava em um dos meus melhores dias. Estava chateado, preocupado, triste. Mas saber que alguém lembrou de algo tão belo relacionado a mim mudou tudo. Presente é o que permanece com a gente do outro. É a conexão que estabelecemos e alimentamos.

Enquanto ainda enfrentamos o distanciamento físico, uma notificação, um telefonema, ou um bordado que chegam sem a gente esperar podem ser um bálsamo. Nada disso vai resolver ou reduzir os nossos desafios e mazelas, porém, essa atenção ajuda a tornar a caminhada difícil um pouco mais leve e suportável.

Renan Ribeiro

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