Nesta semana, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou a quarta edição do Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios que, entre outras coisas, aponta para a desigualdade salarial.
Mais uma vez, os dados reunidos revelam um cenário persistente de disparidade entre os salários de homens e mulheres no Brasil.
Embora o levantamento aponte uma discreta elevação na presença feminina no mercado formal, os números reforçam que a desigualdade salarial segue firme, com poucas alterações em relação à edição anterior do estudo.
Relatório do governo mostra se existe desigualdade salarial entre homens e mulheres
O relatório, que tem como base informações coletadas de 54 mil empresas com pelo menos 100 funcionários, abrange o período do segundo semestre de 2024 ao primeiro semestre de 2025.
Ele é resultado de uma política pública que visa tornar mais transparentes os critérios de remuneração nas empresas e expor práticas que possam indicar discriminação de gênero e raça no ambiente de trabalho.
A proposta é estimular mudanças nas estruturas salariais e fomentar a igualdade no acesso e valorização profissional.
Os dados mais recentes revelam que, em média, as mulheres recebem 21% a menos do que os homens em cargos equivalentes. Em termos absolutos, isso representa uma diferença de 1.050 reais por mês. Enquanto o salário médio masculino é de 4.958 reais, o feminino fica em 3.908 reais.
O cenário é ainda mais grave quando se observa o recorte racial: mulheres negras ganham, em média, menos da metade do que homens brancos, com uma diferença que alcança 46%.
Na comparação com homens negros, elas também recebem menos, 2.986 reais contra 6.391 reais, revelando um abismo preocupante.
Desigualdade salarial é maior em cargos que exigem mais qualificação
A disparidade é mais acentuada em cargos administrativos e funções que exigem formação superior. Já em ocupações operacionais, especialmente em setores industriais, os salários tendem a se igualar mais.
Essa relativa paridade, no entanto, não é suficiente para alterar o panorama geral de desigualdade.
O único avanço notado pelo estudo foi um pequeno crescimento na participação feminina nos postos formais de trabalho. A presença das mulheres passou de 40,6% para 41% do total de empregos registrados, o que, apesar de modesto, aponta para um movimento de inclusão.
Ainda assim, a remuneração das mulheres representa apenas 35% da massa salarial total analisada, sinalizando que a desigualdade permanece não só nos valores pagos, mas também na ocupação de posições mais bem remuneradas.





