A Uber anunciou uma nova forma de trabalho para seus motoristas e entregadores: ganhar dinheiro sem sair do lugar. A novidade permite que parceiros da plataforma realizem microtarefas diretamente pelo aplicativo e recebam por isso, sem precisar fazer uma única corrida.
A iniciativa, que já estaria em testes na Índia segundo alguns veículos de imprensa estrangeiros, foi oficialmente apresentada nos Estados Unidos e faz parte da estratégia da empresa para expandir seu investimento em inteligência artificial.
Motoristas de Uber vão ganhar dinheiro sem fazer corrida
A proposta é simples na teoria: usar a imensa base de colaboradores da Uber para coletar dados que ajudem a treinar modelos de IA.
Na prática, os motoristas poderão ser convidados a executar pequenas tarefas como gravar áudios com sua voz, tirar fotos suas, de seus veículos ou de outras coisas que forem solicitadas, escrever textos em seu idioma ou capturar imagens de documentos em diferentes línguas.
Essas ações seriam feitas no próprio app da Uber e remuneradas como um tipo de trabalho extra, sem relação direta com o transporte de passageiros ou entrega de pedidos.
A empresa afirma que esse novo formato amplia as possibilidades de “trabalho flexível” para os parceiros da plataforma, mas os objetivos por trás da iniciativa têm mais a ver com o avanço tecnológico do que com melhorias nas condições de trabalho.
Após adquirir a startup Segments.ai, especializada em rotulagem de dados, a Uber busca acelerar sua capacidade de desenvolver sistemas inteligentes que dependem justamente desse tipo de insumo, que são dados brutos, variados, e classificados por humanos.
Essa prática não é nova no setor. Gigantes como Amazon, com sua plataforma Mechanical Turk, e a Scale AI, já operam há anos com o modelo de microtarefas, muitas vezes contando com trabalhadores de países pobres, que aceitam receber pouco por cada tarefa devido ao contexto econômico.
Trabalhadores da Uber devem se juntar a outros milhões no mundo que já fazem microtarefas por pagamentos irrisórios e alimentam IAs
Esses serviços costumam pagar valores baixos por tarefas simples e repetitivas, como identificar objetos em imagens ou transcrever trechos de áudio.
A nova aposta da Uber segue essa lógica, mas com uma vantagem logística: já possui milhões de motoristas cadastrados prontos para executar esse tipo de trabalho, o que a Uber vê como sua principal vantagem.
A movimentação também acende alertas. Motoristas poderão estar entregando informações sensíveis, como imagem, voz ou escrita, sem clareza sobre o uso futuro desses dados.
Além disso, há um paradoxo implícito: os mesmos trabalhadores que ajudam a treinar a IA podem estar, em última instância, colaborando para uma tecnologia que os tornará obsoletos.
A Uber, por sua vez, nega que os dados coletados tenham relação com o desenvolvimento de veículos autônomos. Ainda assim, o avanço dessa nova frente de trabalho aponta para um futuro incerto e cada vez mais automatizado.





