Embora o presidente argentino Javier Milei não estivesse entre os candidatos nas eleições realizadas no último domingo, 7 de setembro, o resultado das urnas representou um duro golpe político ao seu governo.
As votações ocorreram na província de Buenos Aires, a mais populosa e economicamente relevante do país, e mostraram uma retomada vigorosa da oposição, especialmente do setor peronista.
O partido de Milei, La Libertad Avanza (LLA), foi derrotado em seis das oito regiões eleitorais, sinalizando uma clara perda de força política desde sua vitória presidencial.
Milei é derrotado e oposição volta com tudo na Argentina
Essas eleições não diziam respeito à presidência da República, mas sim a cargos regionais como prefeitos, deputados e vereadores. Ainda assim, o pleito serviu como termômetro do cenário político argentino.
A votação expôs a fragilidade da base governista e reforçou a influência do peronismo, que não apenas manteve, como ampliou seu domínio sobre a província de Buenos Aires, onde já controla 83 dos 135 municípios.
Com cerca de 84% das urnas apuradas, a coalizão peronista Força Pátria registrava mais de 53% dos votos, enquanto o LLA ficou com menos de 29%.
Esse resultado, além de frustrar as expectativas do governo, ocorre num momento especialmente delicado para Milei, que enfrenta desgaste político, instabilidade econômica e denúncias de corrupção envolvendo sua irmã, Karina Milei, atualmente secretária-geral da Presidência.
Apesar de não ser candidato nesta eleição, Javier Milei esteve diretamente envolvido na campanha. Apareceu em atos públicos, discursou contra o peronismo e tentou transformar o pleito local em um julgamento simbólico de sua gestão.
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A derrota, portanto, foi sentida como um revés pessoal. Em pronunciamento após a divulgação dos resultados, o presidente reconheceu o insucesso, mas reafirmou seu compromisso com a agenda liberal de seu governo.
O impacto dessas eleições vai além do controle regional: elas moldam o ambiente político para as eleições legislativas nacionais, marcadas para outubro.
Com a base fragilizada e a oposição fortalecida, Milei terá dificuldades para aprovar projetos e consolidar sua liderança.
A retomada do peronismo em seu reduto mais estratégico indica que o presidente pode enfrentar um caminho cada vez mais turbulento até o fim de seu mandato, ou até mesmo nas próximas eleições presidenciais.





