Uma força-tarefa realizada em três estados desmantelou um esquema que lucrava com a oferta clandestina de filmes, séries e canais de TV em streamings pirata.
A investigação apontou que o grupo usava serviços de streaming pirata como fachada para movimentar dinheiro de origem ilícita e sustentar uma rede de crimes financeiros.
As ações ocorreram em Alagoas, no Ceará e em Santa Catarina, onde equipes localizaram estruturas que operavam como centros de distribuição do conteúdo ilegal e como suporte para lavar recursos obtidos com as assinaturas clandestinas.
Justiça apreende R$ 12 milhões em operação contra streamings piratas
A operação, batizada de Endpoint, foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público do Ceará, com apoio das Polícias Civis dos três estados envolvidos.
Também participou o Laboratório de Operações Cibernéticas da Secretaria Nacional de Segurança Pública, responsável por fornecer análises técnicas e rastrear os ambientes virtuais usados pelo grupo.
O trabalho integrado permitiu atingir diferentes pontos da cadeia criminosa e avançar sobre a estrutura que mantinha as plataformas em funcionamento.
No total, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca em endereços ligados aos investigados. Três pessoas foram detidas.
A Justiça determinou o sequestro de bens e valores que somam 12 milhões de reais, além do bloqueio de 118 sites e perfis usados para atrair novos assinantes. Também houve determinação para que mecanismos de busca deixassem de indexar páginas relacionadas ao esquema.
As equipes apreenderam ainda criptoativos, documentos, equipamentos eletrônicos e maquinário utilizado para mineração de moedas digitais, parte dele operado com energia furtada.
Dinheiro do streaming pirata era misturado com valores de outras atividades
As apurações mostraram que a estrutura não se limitava à oferta de conteúdo pirata. Havia empresas registradas em nome de terceiros para movimentar recursos e ocultar os verdadeiros responsáveis.
Essas empresas funcionavam como caminho para pagamentos feitos por usuários, muitos deles realizados via PIX e intermediados por plataformas de checkout.
O objetivo era misturar o dinheiro recebido pelas assinaturas ilegais com outras atividades para dificultar a identificação da origem.
Para as autoridades, a operação se destaca porque foca na base tecnológica que sustenta o serviço e não apenas nos operadores.
A derrubada de servidores, domínios e rotas de pagamento interrompe a atividade criminosa e reduz o impacto sobre titulares de direitos autorais, além de proteger usuários que podem ser expostos a golpes e riscos cibernéticos.
O resultado reforça a tese de que o combate à pirataria digital depende de ações coordenadas e de investigações que alcancem tanto o fluxo financeiro quanto os mecanismos de distribuição do conteúdo ilegal.





