Brasileiros que tomam muito café receberam a melhor notícia do ano. Após longos meses de alta por motivos que envolvem fatores internos, climáticos, e externos, o produto registrou dois meses de baixa seguidos.
Contudo, é necessário atenção, pois a baixa produção no Brasil e novos fatores internacionais, como o tarifaço de Donald Trump, indicam que pode haver uma leve alta em breve.
Brasileiros que tomam café recebem melhor notícia do ano
O café, um dos produtos mais presentes na mesa dos brasileiros, finalmente deu um alívio no bolso dos consumidores.
Após um ano e meio de aumentos consecutivos, os preços do café moído caíram em julho e agosto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A retração foi de 1,01% em julho e de 2,17% no mês seguinte, indicando uma mudança temporária no comportamento dos preços.
Essa redução está diretamente ligada à colheita da safra, que elevou a oferta do grão no mercado interno. Com mais café disponível, a pressão da demanda sobre os preços diminuiu, favorecendo o consumidor.
Além disso, até o início de agosto, os efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro ainda não haviam sido sentidos nos preços domésticos, o que também contribuiu para o alívio.
Apesar do recuo recente, é importante lembrar que o café continua sendo um dos itens que mais pesaram na inflação acumulada dos últimos 12 meses.
Mesmo com as quedas, o preço do produto ainda está cerca de 70% mais alto do que no ano anterior, resultado de uma série de fatores que vêm pressionando o mercado global desde 2020.
Café subiu por muitos motivos diferentes, que ainda podem provocar nova alta
Entre os principais responsáveis pela alta histórica estão os eventos climáticos adversos em todo o mundo, como secas e geadas, que reduziram a produção em países-chave, incluindo o Brasil, Vietnã e Colômbia.
Ao mesmo tempo, a demanda internacional cresceu, especialmente por parte da China, ampliando ainda mais o desequilíbrio entre oferta e procura.
A situação se agravou com o recente tarifaço dos EUA, que impôs uma taxa de 50% sobre o café brasileiro, o que movimentou os mercados e elevou os preços do grão na bolsa de Nova York.
No campo, os produtores também têm enfrentado desafios. A colheita deste ano foi menor do que o esperado, tanto em volume quanto em qualidade. Muitos grãos vieram menores e mais leves, o que exige uma quantidade maior para compor uma saca padrão, encarecendo a produção.
Com estoques baixos no mercado global e uma oferta ainda fragilizada, as indústrias já projetam um novo aumento de até 15% nas próximas semanas. Portanto, embora os preços tenham caído por dois meses, a trégua pode ser curta.





