O Brasil pode enfrentar um novo apagão, e, ao contrário do que se esperaria, o risco não vem da falta de energia, mas sim do excesso.
Isso mesmo: o aumento acelerado da produção de fontes renováveis, como solar e eólica, aliado à ausência de planejamento e falhas estruturais, está gerando um cenário de instabilidade elétrica.
O que era para ser a solução do futuro agora se tornou uma ameaça real ao equilíbrio do sistema, que deve ser resolvida para que os benefícios da energia renovável não se percam em meio a polêmicas.
Brasil vai ter apagão de novo! Motivo envolve energia renovável
O problema começa com a lógica do funcionamento da rede elétrica nacional, que precisa manter uma frequência constante de 60 Hz para operar com segurança.
Quando há geração demais e consumo de menos, como costuma acontecer nas manhãs de domingos e feriados, a frequência sobe.
Se ultrapassar o limite, o sistema ativa proteções automáticas que podem desconectar usinas inteiras da rede. Esse mecanismo de segurança, que deveria evitar colapsos, pode justamente causar um deles.
Atualmente, as manhãs brasileiras estão sobrecarregadas de energia solar. Milhares de pequenas usinas e painéis fotovoltaicos espalhados pelo país, somadas às grandes plantas eólicas e solares, despejam eletricidade na rede quando o consumo está no ponto mais baixo do dia.
O resultado é um desequilíbrio entre oferta e demanda que obriga o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a cortar parte da geração para evitar danos maiores.
Esse corte forçado, chamado de curtailment, já atingiu níveis históricos em 2025 e deve continuar crescendo até o fim do ano.
Produção de energia nas casas não pode ser desligada, e isso tem gerado problemas para o ONS
O agravante é que boa parte da energia vem de sistemas de geração distribuída, como painéis solares em telhados residenciais, que não podem ser desligados remotamente pelo ONS.
Sem controle sobre esses pontos, o operador recorre aos cortes nas grandes usinas, que perdem receita e acumulam prejuízos.
Empresas do setor falam em colapso financeiro, com usinas operando com perdas de até 70% da capacidade em alguns períodos.
Com a aproximação do verão, festas de fim de ano e férias coletivas, o consumo tende a cair ainda mais durante o dia.
Sem uma resposta rápida em termos de regulação, modernização da rede e políticas de armazenamento, o país corre risco não só de apagões localizados, mas de um caos energético evitável, causado por excesso, não por escassez.





