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Você confia no desconhecido? A era 4.0 e a transformação do ser humano.

A evolução digital e o questionamento sobre quase tudo me assustam. É tão incoerente pensarmos que somos cada vez mais questionadores e ao mesmo tempo tão influenciáveis.

Por Rodrigo Maffia. Sócio fundador da Carta Curinga, Professor do MBA de Comunicação e Marketing da Puc Minas e Professor dos cursos de Marketing, Administração e RH do CES. Apaixonado por tênis e futebol e um Cruzeirense alucinado!

08/07/2018 às 09h00 - Atualizada 06/07/2018 às 13h08

Posso garantir que sim. É realmente estranho…muito estranho! Como é louco e como podemos acreditar em pessoas que não conhecemos e não sabemos se existem? Como a maioria das nossas ações tem interferência externa? A evolução digital e o questionamento sobre quase tudo me assustam. É tão incoerente pensarmos que somos cada vez mais questionadores e ao mesmo tempo tão influenciáveis.

Quantas vezes você já comprou algum produto recomendado por uma pessoa que você não conhece? Quantas vezes você viajou e fez uma consulta no TripAdvisor e Airbnb antes de se hospedar? Quantas vezes você desistiu de fazer um pedido no ifood por algumas recomendações abaixo da média? Quantos filmes na Netflix você deixou de assistir porque as estrelinhas não eram suficientes na sua métrica de qualidade? Quantas vezes você conferiu a classificação do motorista do Uber para seguir viagem com segurança? A conectividade móvel nos permite acessar os mais variados depoimentos sobre as empresas antes de adquirirmos o produto/serviço. Muitas das vezes estamos vendo as recomendações e críticas no momento da compra e do consumo.

Isso significa que as empresas estão cada vez mais perdendo o controle sobre as comunicações e ações de marketing? Acredito que sim. É impossível ocultar as reclamações do consumidor e é ele quem dita as regras. Hoje, o conteúdo é gerado por comunidades e as empresas estão perdendo o controle sobre a “conversa”. Acreditamos cada vez mais nas pessoas e cada vez menos nas marcas. Por isso, a empresa que foca no produto (marketing 1.0) e no consumidor (marketing 2.0), não sobrevive. O marketing 3.0 foi fundamental para criar empatia com o cliente. O foco é no ser humano, e, com isso, as marcas conseguem humanizar, compreender e estreitar essa relação. Quando você conhece o seu cliente de forma individual, é possível criar experiências e personalizar produto e atendimento. Hoje, vivemos na Era 4.0, que não é muito diferente da Era 3.0. O foco continua sendo no ser humano, porém, com forte influência da internet. Estamos conectados 24 horas por dia e praticamente todas as nossas ações tem influência do meio digital, e, é nesse contexto, que as marcas precisam mostrar o seu valor e gerar conteúdo.

Outro dia, em um grupo no Whatsapp, um dos integrantes (que mal conheço) comentou que a cerveja Session Citra estava com um descontão em um supermercado da cidade. A cerveja em questão é uma das que mais gosto e estava menos da metade do preço normal. Eram quase 10 horas da noite e fui correndo no supermercado para tentar comprar o máximo de garrafas. Chegando lá, encontrei exatamente 48 garrafas e acabei levando todas.

Se essa marca tivesse feito uma propaganda no horário nobre da TV, no canal de maior audiência, divulgando essa promoção, será que eu sairia de casa às 22h para comprar? O que posso garantir é que, provavelmente, não teria o mesmo impacto.

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Uma pesquisa realizada pela PwC há 3 anos, revelou que 77% dos brasileiros são influenciados pelas redes sociais na hora de decidir uma compra. Acredito que os números atuais já subiram consideravelmente. Ou seja, nossas decisões de compra têm forte interferência da relação da marca no ambiente digital e de seus clientes.

O papel do profissional de marketing é construir marcas que se comportem como pessoas. As marcas devem ser verdadeiras, compreensíveis, amáveis e devem assumir suas falhas.  As empresas que aproximam e relacionam com o consumidor, conseguirão defensores e embaixadores. Já que acreditamos no desconhecido, é óbvio que confiamos nas pessoas do nosso círculo pessoal (família, amigos, professores e seguidores).  E é por isso que as marcas não precisam de clientes, precisam de seguidores. Um seguidor gera outro seguidor que gera outro seguidor que gera outro seguidor e que gera outro seguidor…

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