Ícone do site Tribuna de Minas

Varejo farmacêutico: o melhor remédio é a prevenção?

Conjuntura e mercadosi face
PUBLICIDADE

O impacto da paralisação nas atividades, eminente ao combate da pandemia de Covid-19, teve impactos assustadores para a maioria dos setores da economia. Existem, no entanto, aqueles que fogem dessa regra. Esse é o caso do setor farmacêutico, por exemplo, que viveu no centro dos holofotes em 2020. Escassez de insumos e problemas diplomáticos tornaram a alta na demanda do setor uma preocupação para o sétimo maior mercado farmacêutico do mundo, mas não foram suficientes para frear o crescimento do mesmo.

Segundo dados da IQVIA (empresa especializada em tecnologia da informação em saúde e pesquisa clínica que audita o setor), com o volume movimentado de, aproximadamente, R$ 113,02 bilhões. As vendas que se destacaram neste período foram as de suplementos, vitaminas, relaxantes e antidepressivos. Além disso, ainda se evidencia a venda de produtos classificados como “não medicamentos”, como por exemplo, mercadorias de higiene pessoal.

PUBLICIDADE

Nesse sentido, em meio ao período de isolamento social em 2020, houve um crescimento do “e-commerce” na atividade dado que, conforme a Abrafarma, as vendas on-line dos membros da entidade tiveram um aumento de 137,11% em relação ao ano de 2019, expandindo de 1% para 3% a participação do comércio digital no volume de negócios. Além disso, a própria ação política do Governo federal impulsionou vendas: divulgados como tratamento para a Covid-19 mesmo sem consenso científico, o “kit covid” teve seus componentes mais que quintuplicados em vendas durante 2020, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segundo diretores da Abrafarma, a expansão da atividade também se deve à busca da população por mais qualidade de vida, ao envelhecimento da sociedade e pela falta de capacidade de absorção do sistema público de saúde das demandas sanitárias dos brasileiros.

Entretanto, a indústria farmacêutica brasileira foi exposta à sua realidade frágil de dependência externa durante a pandemia, porque mais de 90% dos medicamentos acabados e princípios ativos de genéricos são importados e, com o câmbio em alta, a compra de medicamentos torna-se mais dispendiosa. De acordo com o Ministério da Saúde, são gastos aproximadamente 15 bilhões de reais anuais na compra de medicamentos, dos quais cerca de 30% são comprados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Neste viés, os países que mais investem em ciência básica e inovação são os produtores de medicamentos, concentrando o monopólio do conhecimento produtivo e das patentes. Os Estados Unidos produzem cerca de 60% de todos os medicamentos do mundo, a Europa e países asiáticos vêm logo atrás. Assim, o Brasil se torna dependente de outros países para o consumo de remédios, o que, todavia, não cria situações para a concentração na distribuição do produto dentro do país: a Abrafarma tem participação de mercado de 45% no segmento, representando apenas 10% das 80 mil farmácias em funcionamento dentro do país.

Ainda em 2018, o setor farmacêutico varejista cresceu 9% no Brasil, mantendo o ritmo de expansão da atividade na cidade menor do que o nacional, o que, no entanto, não é pretexto para crer num desempenho ruim do segmento dentro do município, visto que Juiz de Fora apresenta a relação de uma farmácia por 2361 habitantes, número três vezes maior que o indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

PUBLICIDADE
Sair da versão mobile