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A gentrificação imobiliária no município de Juiz de Fora

conjuntura e mercados
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A dinâmica de transformação urbana tem provocado mudanças profundas na estrutura socioeconômica das cidades. Um fenômeno que se tem observado é a gentrificação, um processo de valorização imobiliária de regiões de baixa renda. Paralelamente, o meio urbano tende a passar por um processo de requalificação dos recursos e na qualidade ambiental.

A relação entre os fenômenos ocorre via amenidades ambientais: investimentos em parques e saneamento elevam o valor do solo e dos imóveis. Assim, um novo perfil socioeconômico é atraído, deslocando a população local devido à especulação. Essa dinâmica representa um ‘paradoxo sustentável’, em que a melhoria ambiental gera exclusão social. Esse cenário evoca o debate da justiça ambiental, evidenciando que os reais beneficiados por essas políticas costumam ser os grupos de maior renda.

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O município de Juiz de Fora, apesar do PIB per capita de R$43.000 e 540.756 habitantes (IBGE, 2022), enfrenta desigualdades impulsionadas pela expansão imobiliária. Enquanto o metro quadrado atinge R$5.285 e os aluguéis sobem acima da inflação (5,15%, em set/2025, Grupo Diamond), cerca de 24.000 pessoas amargam a extrema pobreza (Sec. Assistência Social, 2025) e 128.946 moradores, quase 24% da população, ocupam áreas de risco (Cemaden, 2024-2026).

O município possui indícios de gentrificação em bairros como o Dom Bosco (Locus UFV, 2023), onde a regularização fundiária próxima à Universidade encareceu terrenos, pressionando os moradores originais. Simultaneamente, a revitalização do Centro Histórico atrai investimentos e turismo, valorizando imóveis antigos. Como consequência, a cidade já enfrenta a alta dos aluguéis, a mudança no perfil socioeconômico e a alteração da função social dos bairros.

Analisando o estado de Minas Gerais, esse possui a maior área urbana em alta declividade do Brasil e Juiz de Fora reflete tal problema, sendo a terceira cidade do país com mais ocupações em terrenos com mais de 30% de inclinação, segundo o Projeto MapBiomas. O fortalecimento de áreas verdes, a melhoria do clima urbano e a valorização de patrimônios históricos podem trazer benefícios tanto sociais quanto ambientais. Porém, é necessário políticas que promovam inclusão e gestão justa do solo urbano.

Além disso, o poder público (municipal, estadual e federal, em conjunto ou separadamente, conforme suas respectivas responsabilidades) precisa priorizar a segurança, saúde e educação para conter a alta do custo de vida e evitar o êxodo dos moradores, bem como investir na infraestrutura e saneamento básico.

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*texto escrito por Bernardo Marcos Da Silva, Pedro Adriano Oliveira de Aquino, Alessandra Cristina Quirino e Weslem Rodrigues Faria

 

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