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Inteligência Artificial e a Nova Corrida Energética

conjuntura e mercados
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O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) recolocou a energia nuclear no centro do debate econômico global. A expansão dos modelos de IA e dos centros de dados (data centers) vem provocando um crescimento expressivo da demanda por eletricidade, exigindo novas fontes de geração capazes de operar continuamente e em larga escala.

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a eletricidade consumida por data centers deverá superar 1.000 TWh em 2030 e alcançar aproximadamente 1.300 TWh em 2035, mais que o dobro do registrado em 2024. Nesse contexto, grandes empresas de tecnologia passaram a investir diretamente em soluções energéticas de longo prazo para sustentar a expansão de suas infraestruturas digitais.

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A Microsoft firmou um acordo de 20 anos com a Constellation Energy para viabilizar a retomada da Unidade 1 da usina de Three Mile Island, na Pensilvânia, com capacidade de 835 MW. O Google anunciou parceria com a Kairos Power para o desenvolvimento de Pequenos Reatores Modulares (SMRs), enquanto a Amazon amplia investimentos em data centers associados a projetos energéticos de grande escala. Para essas empresas, a energia nuclear oferece uma vantagem estratégica: geração contínua, baixa emissão operacional de carbono e menor dependência das oscilações climáticas que afetam fontes renováveis intermitentes.

Entretanto, a corrida energética da era da IA também levanta preocupações relevantes. Os data centers são infraestruturas físicas altamente intensivas em energia e água, pressionando redes elétricas, sistemas de abastecimento e ecossistemas locais. Em diversas regiões, os investimentos necessários para expansão da infraestrutura elétrica acabam sendo parcialmente incorporados às tarifas pagas pela população, enquanto os benefícios econômicos permanecem concentrados em grandes corporações.

Além disso, a ampliação da demanda por urânio e por novas instalações nucleares reacendem debates sobre mineração, armazenamento de resíduos radioativos e distribuição territorial dos riscos ambientais. Frequentemente, comunidades vulneráveis e territórios periféricos concentram parte significativa desses impactos.

Do ponto de vista econômico, a energia nuclear também enfrenta desafios. Seus custos de implantação permanecem elevados quando comparados a fontes convencionais, e os projetos exigem longos períodos de construção, forte regulação e elevados investimentos iniciais.

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A expansão da inteligência artificial evidencia uma questão central do século XXI: como conciliar inovação tecnológica, segurança energética e justiça social? A resposta exigirá não apenas avanços tecnológicos, mas também políticas públicas capazes de distribuir de forma mais equilibrada os benefícios e os custos da nova economia digital.

Escrito por: Aidê Camile Souza Oliveira, Bernardo Marcos da Silva, Dayane Gomes da Silva, Andressa de Souza Manso, Filipe Santiago dos Reis, Alessandra Cristina Quirino e Weslem Rodrigues Faria.

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