É fato: a cidade envelheceu. Não somente dentro de casa como também nas ruas. Onde mais estão (algumas) pessoas idosas? Nos ônibus. Nas filas dos bancos. Nas unidades de saúde dos bairros. No Parque Halfeld. Nas mesas de cafés de algumas padarias. Fazendo teatro no Grupo Divulgação. Na galeria da cidade jogando purrinha. Caminhando pelas margens do incansável Rio Paraibuna. Nas academias de ginástica. Nos cultos religiosos. Onde mais estão? Na zona rural. São mais de 100 mil pessoas idosas. A população envelheceu, mas a cidade continua olhando para as mesmas pessoas, as mais jovens. Nada contra: já fui jovem um dia. Hoje tenho netos.
Precisamos de ter políticas públicas para todos nós que estamos velhos. Não me canso de escrever isso por aqui nessas colunas. E repito: envelhecer não é uma questão individual. É uma questão coletiva, urbana e política. E por falar em política, estamos em plena campanha para as eleições em outubro: quem está pensando a cidade para as pessoas idosas? Onde está o envelhecimento nos planos de governo? Qual é o projeto político de vocês para uma cidade que envelhece? Ainda não vi.
Minha experiência de trabalho na área me assinala que o planejamento urbano não pensa nas pessoas idosas. Elas são lembradas quando chega uma campanha de vacinação – o que é muito importante -; ou quando se aproxima o Dia dos Avós – que precisa ser mais referenciado -; ou quando estamos no Dia Municipal da Pessoa Idosa – 09 de maio – e no dia 1º de outubro – Dia Internacional da Pessoa Idosa. Fora dessas datas-efemérides, as pessoas idosas deixam de existir?
É preciso construir uma nova cidade com a participação das pessoas idosas, porque uma cidade que não se prepara para envelhecer, como a nossa, corre o risco de ficar velha antes mesmo de aprender a envelhecer. Que cidade queremos quando todos nós envelhecermos? Envelhecer não é destino de alguns. É o futuro de todos nós. Nesse período eleitoral, muito/as candidato/as falam de futuro. Pouco/as perguntam às pessoas idosas como elas desejam viver esse futuro. Não se deve planejar uma cidade para as pessoas idosas sem ouvi-las.
Aqui está uma grande contradição do nosso tempo: somos uma cidade que envelhece rapidamente, mas, no entanto, continuamos planejando como se a juventude fosse eterna. Juiz de Fora precisa dar um passo adiante e mudar o seu olhar. O nosso envelhecimento tem que estar na agenda política com a urgência que merece.
Fala-se muito em saúde. Em educação. Segurança, emprego e mobilidade. Tudo isso é mesmo fundamental. Mas essas políticas não podem deixar de contemplar as necessidades das pessoas que estão envelhecendo. E as necessidades das pessoas que já são idosas. De fato, a cidade envelheceu. A questão de fundo é saber se teremos coragem política para construir uma cidade, um estado e um país onde envelhecer seja um direito e não um problema. Que o/as candidato/as respondam. Nós, pessoas idosas, estamos ouvindo. E votando.

