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O poder do eleitorado prateado

Pitico Fernando Priamo
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Há uma revolução silenciosa caminhando pelas calçadas da cidade. Ela espera o ônibus, está nas filas das agências bancárias. Cuida dos netos. Vai
ao forró domingo à tarde. Viaja com o grupo de amigas. Faz pilates. Caminha todos os dias. Toma café com as colegas depois da palestra Trabalha. Faz voluntariado, e, em outubro, irá às urnas: é o eleitorado prateado, o que mais cresceu para votar nas próximas eleições.

Por muito tempo, a velhice foi tratada pela política como um detalhe estatístico, sem importância; ou que apresentava demandas somente para a saúde e para a previdência social. O Brasil mudou. Envelheceu. Juiz de Fora também. Estamos diante de um novo país, de uma nova cidade. Nunca tivemos tantas pessoas idosas vivendo, votando e participando da vida pública. Esse é um dos maiores acontecimentos demográficos da nossa história.

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Mas parece que essa nova realidade ainda chegou à classe política. Quantos candidatos e candidatas apresentam propostas consistentes para um país e para um estado que envelheceram? Quantos deles e quantas delas falam de transporte acessível, moradia adequada, combate ao idadismo, inclusão digital, cultura, lazer e participação social para os 60+?

Quase sempre, politicamente, o envelhecimento não faz parte dos discursos de campanha. E muitas das vezes, os autores desses discursos são pessoas idosas, mas não se enxergam como tal. Envelhecer não é uma condição meramente particular, é uma responsabilidade coletiva. Política. Votar é muito mais do que escolher um/a candidato/a.

É escolher qual país, estado queremos construir. O eleitorado prateado possui algo que nenhuma pesquisa de opinião consegue medir plenamente: memória. Quem viveu mais conhece as promessas que nunca foram cumpridas, as obras inacabadas e os discursos que mudam conforme sopra o vento.

A experiência das pessoas idosas transforma o voto delas em consciência crítica. Mas, por outro lado, as pessoas idosas – o eleitorado prateado – tem um desafio constante: precisa ocupar os espaços de decisão política; participar dos debates políticos; questionar as propostas do/as candidato/as; fiscalizar, depois de eleito/as, os respectivos mandatos.

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Recusar o papel de expectadores da ação política. Democracia não se pratica apenas no dia das eleições. Ela se constrói diariamente nas associações comunitárias de bairros; no Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa; na Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara Municipal de JF; na Câmara Sênior; nas Conferências Municipais e nas conversas que movimentam a vida da cidade.

Em outubro, cada voto carregará muito mais do que uma escolha eleitoral. Carregará a mensagem de que envelhecer não significa perder a voz, mas, ganhar responsabilidade sobre o futuro coletivo. O eleitorado prateado não está apenas decidindo quem governará o país e o estado. Está ajudando a decidir o que eles e elas deixarão para todas as gerações.

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