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O que aprendemos com as urnas?

O futuro chegou: estamos velhos
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Acabou o milho. Acabou a pipoca. As urnas deram o recado. Vários. Ao lado da presença contagiante da juventude. Das multidões nas ruas. Do povo brasileiro. A comunicação nas redes sociais. A força e a importância das mulheres. Outra mensagem também muito importante nessas eleições foi a caminhada das pessoas idosas.

Milhões de brasileiros e brasileiras com passos lentos, com bengalas, cadeiras de rodas. Restrições de mobilidade decidiram firmemente comparecer às urnas para exercerem seu direito ao voto.

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Entre os 70+, cujo o voto é facultativo, o comparecimento foi muito expressivo. Uma novidade que merece mais do que um simples registro estatístico: merece uma reflexão. O que aprendemos? Aprendemos, inclusive, pela fala da vitória (tetra) do Presidente Lula, que envelhecer não significa desistir.

O que leva um senhor de 80 anos a não enrugar seus ideais e suas lutas pela democracia brasileira? Só mesmo um grande estadista mundial como ele para não entregar os pontos. E sorte a nossa!

Aprendemos também que as pessoas idosas têm as suas marcas do tempo, mas continuam carregando o direito de participarem das decisões que definirão o futuro do país. Nesse próximo mandato, o quarto, o Presidente Lula disse, publicamente, que vai ouvir mais a sociedade. E que vai investir politicamente nas questões que envolvem as melhorias das condições de vida das pessoas idosas. Aprendemos, sim, que democracia não tem idade.

Tem vozes, divergências, esperanças e escolhas. O eleitor idoso, a eleitora idosa, não constituem um bloco uniforme: há diferentes experiências, convicções e expectativas. É essa diversidade, essa pluralidade que torna a participação das pessoas idosas tão importante. Encerrado o período eleitoral, vem o fantasma: será que vamos continuar com a indiferença política que caracteriza o comportamento da maioria de nossos políticos em relação às pessoas idosas?

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Quantos deles se lembrarão dos idosos que esperam meses por uma consulta médica no SUS? E os que enfrentam dificuldades para adquirirem os medicamentos? Aqueles que precisam escolher entre pagar as suas contas ou alimentar-se adequadamente? Esse novo comportamento do comparecimento em massa às urnas das pessoas idosas nos ensina também que não devemos confundir ter mais idade com passividade.

Quem viveu diferentes governos conhece bem as promessas antigas que chegam com roupas novas. O futuro não se constrói de braços cruzados. Aos futuros governantes, fica o recado: uma sociedade que envelhece, um país como o nosso, com mais de 34 milhões de pessoas idosas, precisa de politicas públicas para as pessoas idosas.

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Nossa cidade também. Somos mais de 100 mil pessoas, 60+. As pessoas idosas demonstraram nessas históricas eleições presidenciais que não são meras figurantes. São cidadãs e cidadãos sujeitas e sujeitos de direitos e protagonistas da democracia.

Penso que a grande lição que as urnas trouxeram foi essa: o tempo envelhece o corpo, mas, não tira da gente, o exercício sagrado da democracia. E quem subestima a força do voto idoso corre o sério risco de não compreender a força da democracia. Muito obrigado, 70+!

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