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Perda de massa muscular no pós-Covid 19

Por Alice Amaral

14/06/2021 às 19h24 - Atualizada 14/06/2021 às 19h27

Entre as várias sequelas deixadas pela Covid-19 temos a sarcopenia, uma palavra derivada do grego, que significa perda de carne (sarcopenia = carne; penia = perda). Um estudo do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, mostrou que pacientes internados em UTI em estado grave e sob o uso de ventilador mecânico perdem até 2% de massa muscular por dia, o que dificulta a recuperação e aumenta o risco de morte. Outro estudo realizado com pacientes em estado moderado ou grave apontou que esses pacientes chegam a perder de 1 a 2 % de massa muscular por dia. Ou seja, em dez dias, diminui 10% da massa muscular. Com isso, quanto maior o tempo de internação, maior a perda de massa muscular.

Na Covid-19 ocorre o aumento da interleucina-6, que é uma citocina pró-inflamatória, que prejudica o metabolismo das células musculares levando a perda da mesma. Essa perda é agravada pela imobilização (repouso), uso de medicamentos como corticoides e pela alimentação inadequada. Se o paciente estiver entubado e sob sedação essa redução é mais intensificada. As coxas e os braços são os mais afetados. Só para exemplificar, as pessoas acima de 50 anos sem comorbidades perdem de 1 a 2% por ano.

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Sequelas

A Covid-19 é uma doença nova e a cada dia nos deparamos com mais sequelas deixadas por ela, até mesmo, depois de meses de contágio e de alta médica. O paciente pode apresentar complicações vasculares, como trombose e AVC, cardíacas (miocardite, pericardite), pulmonares (fibrose), problemas renais, neurológicos (dificuldade cognitiva, diminuição da memória, alteração do sono), miosite (que acomete os músculos, causando fraqueza), fadiga, queda de cabelo, alterações psiquiátricas (fobia, síndrome do pânico).

Importante destacar, também, que os sintomas da Covid-19 podem demorar meses para desaparecer, por isso é importante ter uma alimentação regrada, que auxilia muito na recuperação.

Uma dieta saudável fortalece o sistema imunológico, evitando sequelas. No caso específico de ganho de massa muscular é importante aumentar a ingestão de água. Em média temos que tomar 35 ml para cada quilo de peso. Aumentar a ingestão de proteínas, comer mais carnes de boi, frango, peixe, ovos, amendoim, feijão, grão de bico, lentilha, ervilha e fazer uso de gorduras boas, como abacate, azeite e atum. Esses alimentos além de dar mais energia ajudam a aumentar a massa muscular.
Outra dica é evitar o excesso de açúcar, bebidas alcoólicas, fast-food e alimentos ultraprocessados.

O uso de suplementos a base de aminoácidos e a Vitamina D também são muito importantes. Isso tudo associado a prática de atividade física, de preferência musculação.

Alice Amaral

Alice Amaral

Médica - Título de Especialista em Nutrologia – RQE 9884 - Título de Especialista em Medicina do Esporte – RQE 9895 - Título de Medicina Física e Reabilitação - RQE 44090

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