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Quem tem pressa come cru

Por Gabriel Ferreira Borges

17/12/2019 às 07h00 - Atualizada 16/12/2019 às 21h00

Em 27 de dezembro, em assembleia geral extraordinária, a migração do Botafogo de Futebol e Regatas de associação civil para sociedade anônima – ou clube-empresa, termo popularmente mais usado – possivelmente será referendada. Dada a unanimidade durante a sua aprovação no Conselho Deliberativo, em sessão extraordinária na última quinta-feira (12), a ratificação dos associados botafoguenses é mera constatação ante a urgência alimentada pelos principais envolvidos.

Paralelamente, bem como em General Severiano, o projeto de lei substitutivo para regulamentar e incentivar a migração para o modelo clube-empresa não enfrentará muita resistência no Senado, apesar de muitos considerarem a Casa mais rigorosa do que a Câmara.

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A matéria, cuja relatoria é do deputado Pedro Paulo (DEM), é endossada, sobretudo, pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). O deputado, como a maioria sabe, é botafoguense, e, até por isso, deu atenção especial a Pedro Paulo, especialmente após a aprovação da Reforma da Previdência. Até em regime de urgência urgentíssima o projeto tramitou e, por isso, sem necessidade alguma de passar por quaisquer comissões. O texto de Pedro Paulo é substitutivo a um projeto outrora apresentado pelos deputados Domingos Sávio (PSDB) e Otávio Leite (PSDB) – este, já sem mandato -, e a outro, do deputado Felipe Francischini (PSL), presidente da Comissão de Constituição e Justiça.

Embora o quadro financeiro do Botafogo seja drástico ao acumular dívidas próximas a R$ 1 bilhão, a euforia sobre o projeto é, no mínimo, alarmante.
A articulação política intensificou-se após João e Walter Moreira Salles, ilustres botafoguenses, repassarem ao presidente Nelson Mufarrej o estudo contratado junto à empresa de consultoria Ernst & Young para diagnosticar o quadro econômico-financeiro do Botafogo. Desde então, ao menos, mesmo que se tratasse de um estudo, a migração para a sociedade anônima é discutida como alternativa derradeira à sobrevivência do Glorioso sem esforço algum, inclusive, para discutir a natureza e os eventuais mecanismos de controle para acionistas, determinados pelo projeto por Pedro Paulo relatado.

A desconfiança deveria ser a tônica quando o privado é travestido como solução. Ainda que os torcedores estejam preocupados com quem vestirá a camisa alvinegra em 2020, deveriam se atentar para quem serão os primeiros a bater na porta de General Severiano e qual será a sua participação neste processo.

Gabriel Ferreira Borges

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