
Não há tempo que vença o Grupo Divulgação. Não porque escape ao desgaste dos anos. Pelo contrário. Os cenários se desgastam e se reaproveitam, os refletores precisam ser recuperados, os figurinos carregam as marcas de incontáveis apresentações, e o elenco se renova a cada temporada. Mas existe algo que permanece inteiro: o desejo de continuar.
É dessa matéria invisível que resiste e vive o Grupo Divulgação. Antes do aplauso, há quem bata prego, varra o palco, troque a lâmpada, costure uma peça de roupa ou ensaie uma cena quantas vezes forem necessárias. O espetáculo começa muito antes de a cortina se abrir, depois do terceiro sinal. E, muitas vezes, é nos bastidores que a vida encontra sua melhor cena. Os laços de amizade, alguns dos quais já duram por longos anos, são atados na partilha do pão com salpicão num degrau da escada que dá acesso ao teatro.
Foi assim que aprendi. Descobri que, no Grupo Divulgação, não se formam apenas atores, formam-se pessoas. Ele também ensina que nenhuma obra resiste por décadas apenas por talento, mas atravessa o tempo porque alguém decidiu permanecer quando seria mais fácil desistir.
Sessenta anos parecem muito, e, de fato, são. Mas a história do Grupo Divulgação, que se confunde com a de seu fundador e diretor, José Luiz Ribeiro, não pode ser medida apenas pelo calendário. Sua dimensão está na contribuição que deu à cena teatral juiz-forana e brasileira, na produção ininterrupta ao longo de seis décadas e na quantidade de vidas que ajudou a transformar. Tanto a daqueles que fizeram parte do grupo quanto a daqueles que estiveram na plateia e saíram com a alma tocada ao final de um espetáculo.
Vale ressaltar que resistir nunca foi apenas continuar existindo. Resistir é conservar acesa a chama daquilo que faz sentido, mesmo quando o mundo parece valorizar apenas o que é rápido, descartável e efêmero. Talvez seja por isso que o Grupo Divulgação, hoje registrado como patrimônio imaterial de Juiz de Fora, se gabe de ser amador. E não é porque lhe falte excelência, pelo contrário, mas porque nele o que existe de amador guarda o significado mais bonito da palavra: aquele que vem de amar.
E talvez seja justamente esse amor que explique o impossível. Porque o tempo leva quase tudo, mas, quando se depara com a devoção, ele escolhe apenas passar, sem conseguir levar embora aquilo que realmente importa.
- A programação de comemoração dos 60 anos do Divulgação, que começa na próxima quinta-feira (02), pode ser conferida no perfil do grupo no Instagram.
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