
É com entusiasmo que recebemos a notícia, nesta semana, de que a plataforma MEC Livros alcançou a marca de mais de três mil livros acessados por dia. O programa, cujo objetivo principal é garantir acessibilidade aos livros, atingiu, desde o seu lançamento, em abril deste ano, o resultado de 468 mil obras literárias acessadas de forma gratuita.
Esses números merecem ser comemorados, sim, pois vivemos em um país onde o hábito de leitura ainda esbarra em obstáculos históricos e onde o preço dos livros muitas vezes representa uma barreira para grande parte da população. Iniciativas como essa mostram que a questão do acesso continua sendo uma peça fundamental para aproximar leitores das obras literárias.
É óbvio que não dá para enxergar nesses resultados a solução para um problema tão complexo, mas eles oferecem, pelo menos, um motivo concreto para o otimismo e reforçam a importância de políticas públicas para a ampliação das oportunidades de leitura.
Mais significativo do que o número de acessos é perceber que eles têm se convertido em leitura efetiva. De acordo com dados do MEC, mais de 107 mil livros foram lidos na íntegra ou tiveram pelo menos 90% de seu conteúdo acessado. Totalizando, as horas de leitura registradas na plataforma chegam a 269 mil, o que equivale a cerca de 30 anos de leitura ininterrupta.
Os dados revelam que não estamos diante de simples cliques ou visitas ocasionais à plataforma, mas de um público que tem encontrado nos livros digitais uma oportunidade verdadeira de leitura. Em tempos de diagnósticos pessimistas sobre os hábitos de leitura dos brasileiros, o êxito alcançado pelo MEC Livros serve de sinal de alerta, pois, quando o acesso é ampliado, muitos leitores respondem positivamente ao convite da leitura.
Existe uma preocupação, principalmente por parte das editoras, de que o digital vá substituir o impresso, mas talvez essa não seja a questão principal sobre o tema. Temos que considerar que a biblioteca digital é uma oportunidade de apresentação dos livros às pessoas, que podem gostar deles e até migrar para o impresso.
Como leitor desde a adolescência e adepto da ideia de educação como ferramenta de transformação social, vejo com esperança a possibilidade de que essa iniciativa amplie o alcance dos benefícios proporcionados pela literatura à população de nosso país.
Pequenas vitórias também são vitórias e merecem ser comemoradas. É muito bom ter dados positivos sobre a leitura no Brasil para celebrar, porque, quanto mais pessoas têm contato com os livros, mais sua visão de mundo é ampliada, mais desenvolvida fica sua capacidade de reflexão e mais fortalecido torna-se seu senso crítico, qualidades fundamentais para a formação de cidadãos mais conscientes e participativos.
