
Este domingo é um dia importante para os brasileiros, porque vamos decidir o rumo que nossas vidas vão tomar não só para os próximos quatro anos, mas pelo resto delas. Como pai, fico pensando que Brasil nossos filhos vão encontrar daqui a vinte anos, caso não comecemos a encarar com mais responsabilidade e empatia os caminhos que nos levarão ao futuro. Também como professor, fico imaginando que país nossos estudantes vão encontrar se a sociedade, como um todo, continuar a negar à educação o valor merecido. Um bom futuro depende de um bom presente. Sem essa premissa, pode ser que não tenhamos muito o que esperar. A pergunta que me vem à cabeça é: que nação deixaremos para quem vem depois de nós?
Essa pergunta mexe com os meus sentimentos, pois a preocupação do pai com o amanhã de um filho encontra a inquietação de um professor com o futuro dos jovens. Penso que educar, função de pais e professores, é formar pessoas para um futuro que nós mesmos ainda não conhecemos. E essa certeza dá um certo frio na barriga, porque a expectativa que temos agora, diante de mazelas que se anunciam, é de um horizonte muito curto, que não nos permite enxergar além dele.
Vivemos tão mergulhados no imediato, em cada uma de nossas urgências, que deixamos de pensar no que está por vir. Assim, a eleição deste domingo é uma oportunidade que nos obriga a recuperar uma pergunta que ultrapassa o imediato: que país queremos construir, e não apenas que governo queremos escolher?
O Brasil que eu gostaria de edificar e deixar como herança para os que estão vindo é capaz de distribuir prosperidade e produzir riqueza com uma sociedade vivendo de maneira menos desigual. Uma terra em que nossos herdeiros encontrarão o meio ambiente preservado e não consumido na forma de produtos que visam à lucratividade das grandes empresas. Uma pátria que consiga compreender que recurso natural não é infinito e que desenvolvimento não deveria significar destruir as condições de existência das próximas gerações.
O país que penso ser construído para o futuro é aquele cuja educação seja de fácil acesso e de qualidade, a ponto de preparar nossos estudantes para o trabalho e para a vida cidadã, sempre guiados pelo senso crítico. Um lugar onde a democracia seja um fato consumado e em que discordar seja possível sem desejar a destruição do outro. A esperança é de deixar como legado uma sociedade na qual nossos filhos não precisem aprender que odiar é uma forma de vencer.
Por todas essas razões, este domingo é tão importante. Não podemos deixar o nosso futuro começar a morrer agora. Talvez a melhor maneira de olhar para a decisão que temos diante de nós seja lembrar que ninguém vive sozinho e que o país que construímos para os nossos filhos será também o país dos filhos dos outros.
Que tenhamos a coragem de pensar para além de nós mesmos, para além das nossas urgências e das disputas que tantas vezes nos dividem. Que sejamos capazes de imaginar um futuro possível não apenas para alguns, mas para todos, tendo a certeza de que o meu amanhã e o dos meus dependem do amanhã de todos.
