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Esperança

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Caros e caras, nesse nosso Papo queria celebrar as conquistas de uma juiz-forana que é, sem dúvida, hoje uma das maiores, se não é a maior, nadadora do país: Larissa Martins Oliveira. Aquele menina que conheci aos 14 anos, já dando suas braçadas determinadas sob a tutela do competente Gérson Oliveira, entre as piscinas do Clube Bom Pastor e Colégio dos Jesuítas, cresceu e teve no Troféu Maria Lenk, que terminou no último sábado, uma performance que a credencia como uma das principais realidades de sua modalidade nacionalmente. Vai agora em busca de elevar seu nível internacional – cenário no qual também já dá as caras com ares de quem pode incomodar bastante – e, ao mesmo tempo, se torna uma das principais esperanças de Juiz de Fora ter representação nas Olimpíadas de 2016.

Com três medalhas de ouro – sendo duas individuais e uma com o revezamento do Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo -, duas de prata e uma de bronze, essas últimas também com suas companheiras de time, Larissa começou bem o ano pré-olímpico. Já era a recordista brasileira e sul-americana dos 100m livre, prova que foi campeã nacional no último sábado, e abarcou também o título e as marcas de melhores tempos do país e do continente nos 200m livre. Ainda fez o índice da distância para disputar o Mundial de Kazan, na Rússia, principal competição do ano para os nadadores que miram as Olimpíadas. A juiz-forana também participou de outra quebra de recorde sul-americano com suas colegas, o do 4x100m livre, superando marca que era da Seleção Brasileira nos Jogos de Atenas, em 2004.

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Os resultados de Larissa têm que ser comemorados e exaltados sempre, não deixarei de fazer isso nunca. Mas também faço aqui uma reflexão que deve ser feita pelo meio esportivo local, a meu ver. As marcas são fruto, acima de tudo, da obstinação dessa garota em ser uma atleta profissional e da aposta de seu ex-técnico e seus familiares em lutar para concretizar este sonho. Quantas e quantas vezes, em diversas matérias, acompanhei as dificuldades dela em realizar seus trabalhos, cumprindo uma rotina de verdadeira correria por toda Juiz de Fora para conciliar estudos, treinos, fisioterapia, acompanhamento nutricional, entre outras atividades inerentes à rotina de quem quer ser de elite.

Chegou um momento que não deu mais para continuar na cidade, que, diga-se de passagem, tem mais de 600 mil habitantes e apenas um piscina de 50m, no Sport, na qual raramente a atleta entrou para treinar/competir, que eu saiba. Assim, que essas conquistas não sirvam só para a juiz-forana ser reconhecida e aclamada, mas para provar que há talentos fantásticos espalhados por esta cidade que só precisam de estrutura para desabrochar. A esperança é quem tem os meios econômicos para ajudar fazer isso acontecer.

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