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Qual o vinho mais antigo do mundo?

Por Etiene Carvalho

07/03/2020 às 11h38 - Atualizada 07/03/2020 às 11h38

qual o vinho mais antigo do mundo
Römerwein é exposto em museu como o vinho engarrafado mais velho do mundo (FOTO: Reprodução)

O vinho é uma bebida que remonta à antiguidade, passando pelas civilizações greco-romana. Dionísio, ou Baco para os romanos, que o diga! Mas qual será o vinho mais antigo do mundo ainda mantido em uma garrafa? E qual é o mais velho que segue em condições de ser consumido? De fato é um tema controverso, mas há hipóteses difundidas como as mais prováveis para cada um desses dois tópicos.

Vinho mais antigo do mundo em garrafa

Primeiramente, vamos nos referir à garrafa lacrada que é tida como a mais antiga do mundo. Ela foi encontrada em 1867 por um grupo de arqueólogos nas proximidades da cidade alemã de Speyer, no estado da Renânia-Palatinado. Por seu achado ter acontecido durante escavações em tumba romana, ela foi batizada de Römerwein (“Vinho de Roma”).

Das diversas garrafas que essa equipe de estudiosos encontrou nas escavações, apenas uma continha bebida. A garrafa de vidro espesso está exposta no Museu Histórico do Palatinado, em Speyer, no sudoeste da Alemanha, e estima-se que tenha sido fabricado no ano 325 da era cristã. Assim, ela teria incríveis 1.695 anos de existência.

O líquido é mantido na garrafa e, supõe-se, esteja estragado. A sua produção teria envolvido uvas e ervas locais. Por temores quanto a possíveis reações químicas e até propriedade venenosas, optou-se por não abrir a garrafa. De tempos em tempos, esse debate vem à tona entre os especialistas.

Um vinho do século XIV. Pode beber?

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Adega Histórica dos Sanatórios de Estrasburgo tem o vinho que seria o mais velho do mundo em condições ainda de ser consumido (FOTO: Reprodução)

O Römerwein não é consumível, afinal tornou-se peça de museu. Mas há um vinho mencionado como o mais antigo do planeta em condições de ser consumido. Datado de 1472, a bebida repousa em barris na Adega Histórica dos Sanatórios de Estrasburgo, na França.

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Nos mais de cinco séculos de existência, esse vinho “ancião” só foi liberado para degustações em três momentos especiais. Um deles foi na libertação de Estrasburgo do jugo nazista em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Já o último teste que confirmou as condições de consumo foram feitos em 1994 por enólogos de um laboratório local. Daí não se poder cravar que ainda seja o vinho “bebível” mais antigo. No entanto, a fama permanece.

A Adega Histórica foi criada no fim do século XIX. Ela serviu para armazenar não só vinho como outros produtos destinados a peregrinos e doentes. Na época, a bebida era também fornecida como remédio, além de servir aos rituais religiosos. Em 1716, o prédio foi atingido por um incêndio. Porém, a cave, que fica na parte subterrânea, passou incólume. O vinho, descrito como branco e seco, também “sobreviveu” à Revolução Francesa e às duas grandes guerras.

Vinho já mudou de barrica

O vinho está em uma nova barrica com capacidade para 300 litros desde 2016. A transferência precisou ser feita porque detectou-se um vazamento na barrica anterior, com uma parte do líquido tendo evaporado. Segundo os envolvidos no processo, o vinho foi preservado. Segundo os registros, ao menos outras duas vezes nesses longos séculos a bebida já havia sido transferida de recipiente.

Já nos anos 90 não havia mais vinhedos no local. A fim de preservar a profunda história ligada à cultura do vinho, um museu foi aberto e passou-se a produzir novas bebidas e comercializá-las lá mesmo no hospital.

Assim, enquanto não houver um novo exame a fama de vinho mais antigo permanecerá.

Etiene Carvalho

Etiene Carvalho

Etiene Carvalho é jornalista, especialista em Comunicação Digital pela Universidad de Alcalá (Espanha). Nível 3 Wine and Spirits Education Trust (WSet), Especialista em Vinhos da Califórnia (CWAS) e Sommelier Avançado Federazione Italiana Sommelier Albergatori Ristoratori (Fisar).

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