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Quem produz e faz acontecer

As novas tendências de mercado do pequeno produtor que conquista um público cada vez maior

Por Camila Villas

24/02/2019 às 05h30 - Atualizada 23/02/2019 às 15h21

O mundo anda tão acelerado que muitas vezes e até mesmo sem perceber tudo que a gente mais quer é desacelerar. Na moda isso se resume a dois termos: fast fashion e slow fashion. O Fast fashion remete a tudo que é rápido, acelerado, feito até antes mesmo de que a gente se dê conta, já o slow fashion é o contrário, é tudo que tem essência, que respeita o tempo e suas memórias. Todo esse pensamento começa a tomar forma a partir do momento em que a gente se pega pensando sobre o nosso dia a dia e tudo que acontece a nossa volta.

Recentemente estive em uma feira composta por atrações musicais, delícias gastronômicas e uma parte dedicada a quem fabrica produtos únicos e personalizados. E o que mais me chamou atenção foi o cuidado com que essas pessoas criam cada peça, pensando em todos os detalhes e, principalmente, pensam que cada pessoa que for adquirir este produto se sinta único em possuir algo feito exclusivamente em uma única forma, afinal tudo que é produzido desta maneira passa por um rigoroso processo que precisa de tempo, dedicação e muita criatividade.

Passeando pelos corredores da Afeira, pude conhecer várias marcas e vários produtores locais. E dois me chamaram muito atenção pela criatividade, delicadeza e originalidade das peças. A primeira delas foi a nômade artesanal com peças únicas. E até um mesmo modelo ao se repetir, não consegue ser igual a outro, cada uma dessas peças são confeccionadas por mãos extremamente talentosas.

Os produtos são feitos a partir de materiais simples como correntes, metais materiais leves extremamente diferentes. Uma das peças que mais me chamaram a atenção foi um anel em acrílico transparente que continha conchas e itens do fundo do mar. E havia dois modelos deste mesmo anel cada um possuindo modelos de conchas com acabamento único. Pedras lapidadas faziam uma sensação de energia e frescor. A leveza é tanta que até um trigo vira protagonista de estilo em um colar extremamente fashion. É essa a sensação que se tem: de que alguém por trás de tanta delicadeza está pensando em cada detalhe e se preocupando com a corrente da moda que interliga comunicação, cultura e até mesmo política. É algo extremamente enriquecedor.

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A segunda marca que conheci foi Atelier Mínima de peças a partir de modelos em cerâmica, as peças são confeccionadas com metais que são servidos de apoios para brincos anéis e colares. São atuais e com riqueza de detalhes e suavidade. Com poucos detalhes que pude visualizar em ambas as marcas, tive a certeza de quanto cada vez mais daremos valor para o que é leve, para o que é exclusivo, para o que é feito com toda dedicação e carinho.

E tudo isso nos leva a crer que a moda segue um movimento muito contrário a fortes evidências de consumo e de grandes passos para o ser no lugar do ter. Conseguir valorizar uma produção em pequena escala feita por um pequeno produtor que se supera a cada dia é o novo preto no mercado. E assim vamos buscando novas possibilidades de encarar o mercado com mais leveza, criatividade e sem dúvida muito mais charme. Afinal tem algo mais charmoso do que ser único?!

Conseguir entender o seu estilo, valorizar o seu gosto pessoal e principalmente usar aquilo que foi feito para você com toda atenção e cuidado: isso sim é o slow fashion.

Ficha técnica:
Fotos: Camilla Villas/Tá na Moda
Produtos: Nômade Artesanal e Atelier Mínima
Agradecimento: Afeira

Camila Villas

Camila Villas

Consultora e Produtora de Moda Pós-graduada em Mercado de Moda Membro do Conselho Jovem da Associação Comercial de Juiz de Fora Colunista da Revista Bonna Colunista na Revista Revir negócios

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