Versos que falam de “sentimentos femininos do existir”

Por Marisa Loures

07/08/2018 às 07h00 - Atualizada 06/08/2018 às 23h25

Criadora da personagem Odara Dandara, a contadora de histórias e escritora Vanda Ferreira lança, nesta quarta-feira, “Sentimentos”, seu primeiro livro de poesias – Foto Divulgação

“Filha de Dalva de Souza Ferreira e Braz Ferreira, mãe de Cliverton e Amanda e avó da Alice. Enfim, sou filha, mãe, avó, contadora de histórias, mulher, nascida e criada na comunidade de São Benedito. Faço parte da Leiajf (Liga dos Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora) e do grupo Encantadores de Histórias.” Essa é a escritora Vanda Ferreira. Criadora de Odara Dandara, personagem que sai por aí propagando os contos africanos e afro-brasileiros. Vanda também é professora e iniciou a carreira em creches, trabalhando com crianças de dois e três anos de idade. Percebendo que não era comum encontrar histórias adaptadas para a faixa etária de seus pequenos alunos, resolveu, ela mesma, aventurar-se na empreitada. Pegou gosto pela escrita. Tanto que resolveu, em 2015, lançar um livro – “O julgamento de João Jiló” – pela Lei Murilo Mendes. É com o público infantojuvenil que ela conversa na publicação.

Três anos depois do primeiro lançamento, Vanda decide flertar com a poesia. E volta-se para os adultos. “Sentimentos” (Paratexto, 80 páginas) fala de solidão, amizade, abandono, saudade, ancestralidade e vários “sentimentos femininos do existir”, usando as palavras da também autora Madu Costa no prefácio. A obra será lançada nesta quarta-feira, às 18h30, na Biblioteca Municipal Murilo Mendes. “Espero despertar alegria, amor, tristeza, realização, paixão e vontade viver”, diz Vanda, que começa o livro com versos fortes e direcionadas à mulher do século 21. “É tão paradoxal, pois você pode ser tudo./ E não ser nada ao mesmo tempo./ O machismo, que outrora era praticado livremente sem censura,/ Hoje é mascarado com o assassinato por amor./ Mulher linda, guerreira, faceira, empoderada./ Comprometida com as causas sociais./ Esta é a chamada feminista e tantos outros nomes mais./ As feministas são mal ‘vistas’!/ Mas o feminismo não assassina por amor, elas amam as/ conquistas.”

“Sentimentos” vai estar disponível no site da editora Paratexto, no Espaço Excalibur (Rua São Mateus, 265 – São Mateus, Juiz de Fora), ou diretamente com a autora, por meio das redes sociais: Facebook, Instagram e Fanpage LeiaJF.

Marisa Loures – Em um trecho do poema “Mulher”, você diz “Esta é a chamada feminista e tantos outros nomes mais./ As feministas são mal “vistas!”/ Mas o feminismo não assassina por amor, elas amam as/conquistas.” “Sentimento” é um livro de uma feminista feito para leitoras “feministas”?

Vanda Ferreira – A meu ver, todas as mulheres são feministas, pois, quando você reconhece que os acontecimentos e as oportunidades em sua volta são diferenciados para as mulheres e que, de alguma maneira, você se manifesta contra essas oportunidades, você é uma mulher com visão libertadora.

– Você começa livro dizendo como “é ser mulher no séc. 21” Em seguida, temos temas, como amizade, abandono, saudade, ancestralidade e por aí vai. Usando as palavras da escritora Madu Costa no prefácio, são todos “sentimentos femininos do existir”?

Com certeza, quando reconhecemos que fazemos parte, pensamos, resolvemos problemas e chefiamos uma família. É um existir, para interferir na sua própria história de vida e, muitas das vezes, na história do outro.

– Como esse livro nasceu?

Através da escuta do outro e do íntimo do meu ser.

– Este é o seu primeiro livro de poemas. O anterior é um infantojuvenil. É mais difícil escrever um bom livro infantojuvenil ou um livro de poemas? Por quê?

Acredito que tanto o de poesia quanto o infantojuvenil são difíceis, pois, quando você escreve para o outro e não para você, temos que estar bem atentos no que queremos dizer ao nosso leitor.

– Você desenvolve oficinas de contadores de histórias há mais de 10 anos em Juiz de Fora e em outras cidades. É possível encarar a atividade de contadores de histórias profissionalmente?

Com certeza temos diversos contadores de histórias que vivem de sua arte, já realizei muitos cursos e participei também.  Um bom contador sempre é solicitado para contar histórias e, às vezes, o contratante solicita o repertório desejado.

– Além de contadora de histórias, você também é professora. Quais aspectos você acha relevantes para os professores na hora de contar histórias para os alunos?

– É de extrema importância conhecer a história contada e evitar contar histórias por contar, somente para atividades escolares. A criança precisa sentir deleite ao ouvir uma história.

– Através da sua personagem Odara Dandara você é propagadora dos contos populares africanos. Quais autores de contos africanos a Odara Dandara indicaria para os leitores do Sala de Leitura?

– Eu indico Julio Emilio Braz e  Madu Costa. Trabalhei com o livro “Lendas negras”, do Júlio, durante muitos anos, e ele indica em qual região do continente Africano é a história. Já a Madu é uma escritora maravilhosa, ela tem uma leveza muito grande na escrita. Quando me deparei com o livro “Meninas negras” foi muito bom contar histórias em que nossas meninas negras conseguem se ver e se sentirem representadas.

– Como a Odara Dandara surgiu, e o que você espera alcançar com essa personagem?

– A Odara Dandara surgiu em 2005, através da dissertação do meu curso de formação em Normal Superior, em que o tema contemplava a Lei 10.639/03, que versa sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana e ressalta a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira. E, como eu trabalhava com contação de histórias nas escolas e na saudosa Festa Literária “FestLer”, surgiu a Dandara ressaltando a nobreza e a força da ancestralidade africana. Com a personagem, desejo despertar e enfatizar que, do continente africano, vieram reis, rainhas e uma história, que até pouco tempo nos foi negada.

Sala de Leitura – Quinta-feira, 09 de agosto, às 9h40, na Rádio CBN Juiz de Fora (AM 1010)

 

“Sentimentos”

Autora: Vanda Ferreira

Editora: Paratexto (80 páginas).

Lançamento:

8 de agosto, às 18h30, na Biblioteca Municipal Murilo Mendes (Av. Getúlio Vargas  – Centro)

“Sentimentos” vai estar disponível no site da editora Paratexto, no Espaço Excalibur (Rua São Mateus, 265 – São Mateus, Juiz de Fora), ou diretamente com a autora, por meio das redes sociais: Facebook, Instagram e Fanpage LeiaJF.

 “Mulher”

Por Vanda Ferreira

Ser mulher no séc. 21

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É tão paradoxal, pois você pode ser tudo.

E não ser nada ao mesmo tempo.

O machismo, que outrora era praticado livremente sem censura,

Hoje é mascarado com o assassinato por amor.

Mulher linda, guerreira, faceira, empoderada.

Comprometida com as causas sociais.

Esta é chamada feminista e tantos outros nomes mais.

As feministas são mal “vistas”!

Mas o feminismo não assassina por amor, elas amam as 

conquistas.

As mães deixam de viver pelos filhos.

Quando os filhos crescem, elas ressurgem como fênix

para a vida.

Há quem diga:

Relacionar-se com uma mulher empoderada, guerreira, feminista

é difícil.

Difícil é quando a mulher se despe de si, para relacionar-se

com alguém.

Ao realizar esse ato, ela acaba de cometer suicídio.

em seu semblante lê-se AQUI JAZ UNA MULHER

EMPODERADA

GUERREIRA E FEMINISTA.

Mulher sinônimo de companheira, guerreira, mãe,

esposa, amante e feminista.

Esta é a mulher do séc. 21!

Não se engane com a aparência.

Estas qualidades estão lá dentro de cada uma delas.

Marisa Loures

Marisa Loures

Marisa Loures é professora de Português e Literatura, jornalista e atriz. No entrelaço da sala de aula, da redação de jornal e do palco, descobriu o laço de conciliação entre suas carreiras: o amor pela palavra.



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