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Obesidade e o aumento do câncer colorretal em jovens

Por Alice Amaral

17/09/2020 às 10h42 - Atualizada 17/09/2020 às 10h48

A Sociedade Americana de Câncer (ACS) divulgou recentemente uma pesquisa que aponta o aumento na incidência de câncer colorretal (de intestino grosso e reto) entre adultos jovens nas últimas décadas. O estudo foi publicado no Journal of the National Cancer Institute.
Foram analisados mais de 490 mil casos entre 1974 e 2013 nos Estados Unidos, e verificou um aumento de até 2,4% anualmente em pessoas entre 20 e 39 anos. Quando comparados com adultos nascidos na década de 50, aqueles nascidos na década de 90 têm duas vezes mais chance de adquirir câncer de cólon e quatro vezes câncer de reto.

Com grande repercussão após a morte do ator Chadwick Boseman (Pantera Negra), aos 42 anos que lutou contra a doença por quatro anos, o câncer de colorretal é o terceiro tipo de câncer mais mortal nos Estados Unidos, para o homem fica atrás apenas do câncer de pulmão e próstata, e nas mulheres atrás do câncer de pulmão e mama.
Embora exista uma predisposição genética para este tipo de tumor, o estilo de vida é fator predominante no desenvolvimento da doença; fumo, estresse, sedentarismo, poluição, obesidade e alterações na microbiota intestinal, devido ao uso prolongado de antibióticos, principalmente durante a primeira e a segunda infância.

O aumento nas últimas décadas do consumo de bebidas açucaradas, bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados (embutidos e enlatados), carnes processadas como linguiça, mortadela, presento, salsicha, bacon que possuem compostos carcinogênicos e a deficiência na ingestão de alimentos ricos em fibras (frutas, verduras, legumes, grãos integrais) são fatores relevantes para o aparecimento da doença.

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O câncer de colorretal desde que diagnosticado precocemente é uma doença tratável. A maior parte dos casos na fase inicial é assintomática, porém com a evolução pode surgir sintomas como fezes mais escuras, presença de sangue e/ou muco nas fezes, anemia, dor ou sangramento ao evacuar, cólicas abdominais, gases, fadiga constante, sensação de intestino cheio após evacuar, perda inexplicável de peso, mudanças nas fezes (finas e compridas).

Estudos indicam que 35% dos canceres estão ligados à obesidade, doença crônica que atinge 600 milhões de adultos e 100 milhões de crianças no mundo, responsável por 4 milhões de morte por ano. Segundo o IBGE no Brasil temos 27 milhões de pessoas obesas, se somarmos os indivíduos com sobrepeso temos um número alarmante, 75 milhões. Levando a um estado inflamatório permanente, a obesidade agrava às complicações da covid19, aumenta a incidência de hipertensão arterial sistêmica (inclusive em crianças) diabetes, doenças cardio vasculares, Alzheimer, depressão e diminuição da autoestima. Reduzindo a expectativa de vida em 5,8 anos em homens e 7,1 anos em mulheres após os 40 anos.

Manter um peso saudável e adequado, atividade física regular, ingerir bastante água, ter uma alimentação balanceada rica em fibras (frutas, verduras, legumes, sementes) que ajuda no funcionamento do intestino e na manutenção do peso corporal torna possível evitar o surgimento da doença.

Alice Amaral

Alice Amaral

Médica - Título de Especialista em Nutrologia – RQE 9884 - Título de Especialista em Medicina do Esporte – RQE 9895 - Título de Medicina Física e Reabilitação - RQE 44090

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