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Reciclagem: Matéria-prima de qualidade para novas construções

Tornar o mundo da construção civil mais sustentável é questão sem volta e cada vez mais vital

Por Aletheia Westermann

24/11/2019 às 06h57 - Atualizada 21/11/2019 às 17h40

 

Cerca de 75% dos recursos naturais do planeta são consumidos pela construção civil. Enormes quantidades de recursos finitos são retiradas para suprir as demandas dos mercados. Além disso, uma quantidade grande de resíduos é gerada nos canteiros de obras. Só o concreto é um dos principais responsáveis pelas emissões de CO2 na atmosfera e pode ser visto como um dos principais vilões a ser combatido se formos examinar minuciosamente a contribuição da indústria da construção civil para o agravamento das mudanças climáticas. Porém, embora não seja referência para se orgulhar, sua notoriedade continua alta, sendo ainda hoje um dos materiais mais utilizados na construção no mundo todo.

Outra questão preocupante é o destino dado a esses entulhos, uma vez que são postos em caçambas que acabam indo para aterros clandestinos e lixões sem um descarte correto e adequado, criando locais informais para a deposição ou sobrecarregando os sistemas de limpeza pública.
Entretanto, tomando alguns cuidados, como destino e processamento adequados, esses materiais podem ter um enorme potencial de reutilização, transformando-se em matéria-prima de qualidade para novas construções. Isso, além de reduzir o volume total de lixo, ainda nos abre possibilidades de geração de emprego a milhares de pessoas em sistemas de coleta eficiente, separação e reciclagem dos resíduos.

Materiais mais comuns para se reciclar

Aço
Por ser fabricado a partir da combinação de minério de ferro e carvão aquecidos em altos fornos, sua reciclagem existe desde o Império Romano. Pode ser transformado infinitas vezes em um novo material sem perda de qualidade e ao ser reciclado. O consumo de energia chega a ser 80% menor para a produção da peça, provocando um menor impacto ambiental e evitando a extração de matéria-prima.

Concreto
Ao longo da história, o concreto tem sido o elemento base da construção civil, moldando as nossas cidades, impulsionando o desenvolvimento humano e nos ajudando a superar antigos limites conhecidos. Seu baixo custo de produção, versatilidade, aplicação rápida, além da plasticidade, uma das qualidades mais marcantes do material, ajudam a manter esse ritmo.

Entretanto, à medida que nos tornamos cada dia mais conscientes a respeito das suas causas e efeitos no agravamento das mudanças climáticas, o impacto ambiental causado pela indústria do cimento torna-se uma das principais questões a serem debatidas. Novas tecnologias estão sendo desenvolvidas atualmente, concentrando-se na redução da proporção de cimento nas misturas de concreto e consequentemente na diminuição das emissões de CO2. Soma-se a isso a reciclagem de concreto fresco e do endurecido que permite a reutilização dos escombros, além de reduzir os custos de construção. Isso significa menos peso por metro cúbico, menos material, menos transporte e menos custos gerais do projeto.

Madeira
As madeiras podem durar centenas de anos se conservadas adequadamente. Visto isso, o sucesso da madeira de demolição está na qualidade e no apelo ecológico do reuso. Podem ser utilizadas como elementos estruturais ou na fabricação de outros artefatos. A opção por materiais sustentáveis vem se tornando uma necessidade também no mundo da decoração. Mesmo madeiras consideradas menos nobres podem ser recicladas, sobretudo como matéria-prima para a indústria de painéis. A opção mais comum atualmente é a moagem completa do material para a fabricação de chapas de MDF, para produção de marcenarias. Outra opção é destinar os restos de madeiras para a produção de biomassa, através da queima em fornos industriais.

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Gesso
Sua reciclagem é viável se descartado corretamente. Ao contrário, pode emitir gás sulfídrico, que é inflamável e altamente tóxico, além de contaminar o solo e os lençóis freáticos. Em empresas adequadas, o gesso produzido a partir da reciclagem mantém as mesmas características físicas e mecânicas do gesso convencional, com um custo relativamente baixo.

Vidro
Se por um lado garrafas e recipientes de vidro são altamente recicláveis, esse não é o caso dos vidros de janelas. Por terem composições químicas e temperaturas de fusão distintas, eles não podem ser combinados no processo de reciclagem e devem ser enviados para locais específicos. Entretanto, com novas tecnologias para reuso, eles podem ser remanufaturados em fibra de vidro, para ser incorporado no asfalto, concreto e até combinado em tintas refletivas para estradas.

Há diversos outros materiais que podem ter um reuso e uma reciclagem possível. Como também há substâncias como amianto, tinta látex, solventes químicos, adesivos e tinta à base de chumbo que precisam ser tratadas com cuidado para reduzir seu impacto no meio ambiente. Tornar o mundo da construção civil mais sustentável é uma questão sem volta e cada vez mais vital. Por isso, pensar em todo o ciclo de vida dos materiais torna-se necessário. É preciso estar consciente de que, quando se gera uma grande quantidade de resíduo, é necessário preocupar-se com o destino dado a ele. Assim, a reciclagem pode culminar em menores custos, tanto para o meio ambiente quanto para o consumidor.

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Aletheia Westermann

Aletheia Westermann

Arquiteta e urbanista formou na UFJF EM 2001. Desde então é Arquiteta diretora do escritório Alethéia Westermann Arquitetos. Entre vários trabalhos importantes trabalhou na restauração do Cine Theatro Central em JF, tem projetos desenvolvidos tanto em São Paulo e Rio de Janeiro como no exterior: Em Londres, UK e nos Estados Unidos, nos estados da Florida e Connecticut . É colunista da rádio CBN/JF no programa Morar Bem Arquitetura e Interiores, além de escrever semanalmente para o Jornal Tribuna de Minas no caderno Casa e Cia.

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