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Entre adaptações e transformações

Por Aletheia Westermann

16/08/2020 às 06h45 - Atualizada 14/08/2020 às 19h20

Crises mundiais relacionadas a saúde sempre influenciaram a arquitetura. Na Idade Média, por exemplo, a peste bubônica transformou tanto as cidades, com a expansão de suas ruas e seus becos estreitos, quanto as casas, com a abertura de maiores vãos de ventilação para a entrada do sol e uma melhor iluminação natural. Já no período da Gripe Espanhola, no início do século XX, foram criados os códigos sanitários que passaram a ser estipulados por lei, exigindo taxas mínimas de iluminação, insolação e ventilação nos ambientes.

Desta vez, as mudanças acontecem na maneira como vivemos o lar. Com novos hábitos no dia a dia – desde precauções reforçadas de higiene até a reorganização de espaços – a pandemia também nos fez reavaliarmos cômodos subaproveitados, ambientes que demandam mais conforto, novas necessidades e sobretudo a quantidade e a funcionalidade do mobiliário que compõe nossas áreas.

A casa, cada vez mais, torna-se abrigo não só para o corpo, mas, principalmente, para a mente. O resultado é o contraponto: residências esteticamente mais leves, verdes, simples e conectadas à natureza e à espiritualidade. Casas que carregam pedaços da história dos moradores. Espaços que refletem valores e acolhem.

Além disso, a habitação passa a ser pensada também a partir das atividades: comer, dormir, trabalhar e se divertir. Essas ocupações coexistem com outros ambientes, contudo teremos mais flexibilidade, e objetos e móveis multifuncionais têm sido a decisão mais acertada para o momento atual.

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Esse movimento adota a proposta de “menos é mais”, mas nem por isso os ambientes precisam se tornar menos acolhedores, longe disso. Painéis em espaços mais abertos que deslizam para ocultar áreas específicas, de acordo com o uso no momento, móveis com rodízio, iluminação flexível, pequenas mesinhas de apoio que atendem sua função primordial e na rotina de trabalho possibilitam o apoio dos laptops e livros quando estamos nos sofás do living são alguns exemplos. Para mais, invista em peças de materiais naturais, como madeira, couro e cerâmica. A particularidade dos materiais terrosos também acrescenta personalidade e calor ao lar. Abuse da luz natural que é um fator importante para a energia das pessoas e da edificação.

Outro ponto de extrema relevância é referente às questões sanitárias que estão sendo meticulosamente revisadas nas residências. Refletir sobre a assepsia dos materiais no projeto residencial agora é pré-requisito. Materiais e revestimentos de fácil manutenção estão sendo incorporados de forma ainda mais acentuada, e os espaços domésticos vão sendo adaptados especificamente na transição do dentro e fora de casa. Somam-se a isso equipamentos de limpeza mais eficientes e que facilitam a faxina, além de novas tecnologias capazes de eliminar vírus e germes.

Mais do que nunca, é necessário que os projetos de interiores possam estimular o processo de relaxar e manter uma mente saudável. Buscar um estilo de viver com mais equilíbrio e paz, centrado em aspectos mais cotidianos e direcionado a um modo de consumo sustentável e durável.

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Aletheia Westermann

Aletheia Westermann

Arquiteta e urbanista formou na UFJF EM 2001. Desde então é Arquiteta diretora do escritório Alethéia Westermann Arquitetos. Entre vários trabalhos importantes trabalhou na restauração do Cine Theatro Central em JF, tem projetos desenvolvidos tanto em São Paulo e Rio de Janeiro como no exterior: Em Londres, UK e nos Estados Unidos, nos estados da Florida e Connecticut . É colunista da rádio CBN/JF no programa Morar Bem Arquitetura e Interiores, além de escrever semanalmente para o Jornal Tribuna de Minas no caderno Casa e Cia.

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