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O silêncio que mata!

De acordo com o relatório da OMS - Organização Mundial da Saúde - divulgado no dia 09 de setembro, O suicídio foi a segunda maior causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos no mundo em 2016, atrás apenas de acidentes de trânsito.

Por Thiago Vianna

10/09/2019 às 17h43 - Atualizada 10/09/2019 às 18h42

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Homem mata ex-mulher a facadas e comete suicídio em Cachoeira do Sul”

Cachoeira do Sul – 29/08/2019 – fonte: Gauchazh

“Blogueira comete suicídio após ser abandonada no altar”

Rio de Janeiro – 16/07/2019 – fonte: Brasil ao minuto

“Yasmim Gabrielle, do Programa Raul Gil, comete suicídio e morre aos 17 anos”

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São Paulo – 21/04/2019 – fonte: Veja São Paulo

As matérias acima foram extraídas de diversos jornais espalhados pelo país e todas foram publicadas este ano. Assim como elas, vários outros casos de suicídio foram divulgados e as estatísticas não são favoráveis. Uma pesquisa divulgada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria, indica que o Brasil está na contramão do restante do mundo, enquanto os índices de suicídio caem em todo o mundo no Brasil este número aumentou 24% entre os anos de 2006 e 2015, principalmente entre adolescentes do sexo masculino que registram casos até três vezes maior do que mulheres com a mesma idade. De acordo com o relatório da OMS – Organização Mundial da Saúde – divulgado no dia 09 de setembro, O suicídio foi a segunda maior causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos no mundo em 2016, atrás apenas de acidentes de trânsito.

Um estudo recente divulgado pelo site Papo de Homem em parceria com o Instituto PdH, que originou em um documentário de uma hora de duração com assuntos pertinentes ao comportamento masculino, apontou que 7 em cada 10 homens não falam sobre seus maiores medos e dúvidas com os amigos ou familiares.

O estudo ainda revela que 6 em cada 10 homens declaram lidar hoje com algum tipo de distúrbio emocional.

Segundo o Médico Psiquiatra Dr. David Sender professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e especialista em saúde mental do dia a dia, “Cada vez mais se ouve falar sobre o universo machista em que vivemos, e que nas devidas proporções, também fazem do homem uma vítima. “Homem não chora”, “não pode fazer atividades domésticas”, “tem que bancar a casa”, “tem que ter sua honra”, são apenas alguns exemplos das regras de como um homem deve conduzir sua vida. Acontece que, nenhuma delas está escrita na “porta da geladeira”, todas estão registradas profundamente nas raízes do nosso desenvolvimento. A psicologia, de maneira geral, auxilia a pessoa a identificar e desconstruir diversas crenças que conduziram, até o momento, sua mente. Isso possibilita uma maior flexibilidade psíquica, e mais espaço para viver em paz consigo mesmo”, explica Sender.

O primeiro passo deve ser o diálogo, aceitar suas vulnerabilidades e reconhecer suas fraquezas sem se culpar por isso, oferece condições de vida mais saudáveis a todo ser humano. Mas outros aspectos devem ser levados também em consideração, segundo David o bullyng e o cyber bullyng podem contribuir para o aumento do índice de suicídios cometidos principalmente pelos adolescentes no Brasil e no Mundo “O bullying  envolve uma série de abusos e agressões geralmente executados por um grupo de pessoas sobre um” comenta Sender.

A mudança de comportamento das pessoas e o hábito cada vez mais frequente de acesso a internet e redes sociais fez com que o bullying  atingisse esferas maiores,  surgindo o Cyberbulling. Embora possa parecer menos agressivo, uma vez que basta sair do computador para não ter contato com os agressores, o cyberbullying pode ser muito mais grave, pois agora não se trata mais de um grupo de 3 ou 10 pessoas praticando o crime. Com a velocidade da internet, em minutos milhares ou até milhões de pessoas podem ter acesso a um conteúdo intimo e humilhante de uma pessoa. “O bullying é algo muito violento para quem sofre e pode gerar consequências para a vida, eleva expressivamente os índices de transtorno mental e dobram o risco de suicido. Isso ocorre principalmente por envolverem sentimentos de isolamento, desamparo e impotência frente a essa violência. A solução costuma envolver profissionais de saúde mental, orientação escolar e parental, e muitas vezes medidas jurídicas” defende o Psiquiatra.

No último relatório divulgado pela OMS, a organização aponta formas mais eficazes de reduzir o suicídio, desconstruir essa nuvem de preconceito e incompreensão que existe sobre o tema, gerar maior envolvimento e sensibilização dos meios de comunicação para abordar o assunto de forma correta, aumentar a oferta de grupos de apoio e conversas abertas que ensinem os jovens a saber lidar melhor com suas emoções.

Segundo o Psiquiatra David Sender  “a depressão é um transtorno psiquiátrico heterogêneo, ou seja, há diversas apresentações”. Aquele estereotipo de não conseguir sair da cama, chorando o dia todo é problemático, porque a maioria não se apresenta assim, pois este ponto é um nível de gravidade mais crítica.  A maioria vai trabalhar, namora, sai com os amigos, mas internamente sente que está tendo que se esforçar muito mais para fazer as coisas, incluindo aí atividades que sempre despertaram prazer. A vontade costuma cair pouco a pouco, o humor vai alterando, nem sempre para tristeza, muitas vezes para ansiedade, irritação ou apatia. Muitas pessoas se percebem cada vez mais intolerantes e impacientes. O sono costuma mudar, seja insônia ou aumento do sono. O apetite também, alguns comem mais outros perdem o apetite. Caracteristicamente a cognição é afetada, a pessoa percebe que seu raciocínio, criatividade, concentração e memória não são mais os mesmos. Tudo isso junto, por mais de duas semanas, pode configurar um episódio depressivo.

Cada um de nós pode ajudar dentro das suas condições, basta identificar possíveis sinais e oferecer amparo, fique atento e sempre que possível, ofereça ajuda – dialogue. E se a pessoa não quiser conversar, fique em silencio junto. – Jamais invalide o que ela está sentindo (“Você não devia se sentir assim…”). Ao invés disso diga frases como “Eu te entendo, não está sendo fácil para você”. Isso ajuda a pessoa a se sentir acolhida e reconhecida em seu sofrimento. – Aponte saídas – um dos principais fatores de risco para o suicídio é a sensação que não tem mais jeito. – Mostre casos de amigos que já passaram por questões parecidas (Eu particularmente gosto muito desse). – Indique ajuda profissional. Nem o psiquiatra e nem o psicólogo (os dois trabalham muito bem juntos) servem para solucionar os problemas de alguém, mas ao ajuda-la a se sentir melhor, facilitarão expressivamente a possibilidade de resolvê-los por conta própria, comenta o Psiquiatra.

No Brasil, o CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone (basta discar 188), email e chat 24 horas todos os dias.

Se estiver precisando de ajuda, o primeiro passo é falar!

 

Créditos:

Entrevistado: Dr. David Sender – Psiquiatra 

Endereço: R. Delfim Moreira, 161 – Centro, Juiz de Fora – MG, 36010-570

Telefone: (32) 98443-9998

Fotografia: Studio Photo Aluízio

Revisão: Thaiza Almeida

Thiago Vianna

Thiago Vianna

Empreendedor, Publicitário, Diretor de Planejamento e Comercial da agência Artwork Propaganda, atua no mercado publicitário há mais de 15 anos. Amante de moda, comportamento e qualidade de vida masculina, já dirigiu e produziu campanhas para grandes marcas de vestuário masculino e feminino, sua paixão pelo tema o levou a fundar o Blog Alto Estilo, canal direcionado ao público masculino, com dicas que ajudam o homem moderno se comportar e vestir, respeitando sua personalidade e estilo de vida.

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