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Nastácia: um rodriguiano russo em Juiz de Fora

Nastácia: um rodriguiano russo em Juiz de Fora

(Foto: Pedro Moysés)

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A peça ‘Nastácia’, que estreou em agosto de 2019 e conquistou o Prêmio Shell (RJ) de Melhor Direção, o Prêmio APTR de Melhor Direção e o Prêmio APTR de Melhor Cenário, esteve em Juiz de Fora para duas apresentações no último final de semana. 

A peça, mais um acerto de Vinícius Cristóvão para as terras juiz-foranas, é baseada no romance “O idiota”, do russo Dostoiévski, ou melhor, baseada na história da personagem Nastasya Filipovna, protagonista do romance. 

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Criado coletivamente, o espetáculo e o texto tratam da mercantilização da figura feminina e do feminicídio, tema ainda tão importante e carente de debates na sociedade moderna quanto no século 19. 

Muito eu teria para falar do espetáculo, mas me faltariam caracteres. O cenário, do estilista Ronaldo Fraga, é, juntamente com a iluminação impecável, um ponto alto da peça. Há, ainda, a atuação de Flávia Pyramo como Nastácia, Chico Pelúcio como Totski e Lenine Martins como Gánia que, mesmo em ‘apenas’ três atores, preencheram o enorme palco do Paschoal. 

Porém, ainda em diálogo com Sábato Magaldi, logo após o espetáculo, me veio uma sensação de ter assistido a um espetáculo de Nelson, e digo isso na melhor forma possível – me justifico, mesmo achando impossível que tal fala possa ser enxergada de maneira vil. 

A dramaturgia de Pedro Brício traz profundidade à personagem feminina de Nastácia, que se revolta contra o seu destino, traçado pelos homens à sua volta. É nesse ponto que o diálogo com Nelson Rodrigues se torna inevitável: a figura da mulher aprisionada a papéis sociais e emocionais, cuja frustração ecoa em cada gesto e palavra. Como lembra Sábato Magaldi, “a frustração feminina acompanha, sistematicamente, o destino da mulher, numa sociedade comandada pelo homem. […]  Em regra, as mulheres rodriguianas não se constroem numa profissão. Esse problema nem é cogitado no mundo patriarcal que instiga a imaginação do dramaturgo.”

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E, se em Dostoiévski e em ‘Nastácia’, a personagem é tragada por um destino cruel, em Nelson o peso não seria menor. Sábato observa que “Nelson gostava de repetir que seu teatro era uma meditação sobre o amor e sobre a morte. […] Vingança, a existência como aventura apocalíptica, […], o dinheiro corruptor, a frustração feminina (e, por extensão, masculina), a realidade prosaica são constantes da obra rodriguiana.”

Em cartaz

“Imagens do invisível”, um espetáculo em formato de desfile-performance, apresenta 26 máscaras inspiradas em deuses, seres encantados e manifestações populares de diferentes regiões do mundo. Com cinco atores-bailarinos, um músico e um ator-narrador, a montagem envolve o público em uma atmosfera onírica, com plateia disposta em passarela. O projeto foi contemplado pela PNAB e terá quatro apresentações gratuitas. A direção e as máscaras são de Marcos Marinho.

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Apresentações

25 e 28/09 – Galeria do Teatro Pró Música, 20h.

01/10 – Instituto Federal Campus JF, 19h.

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05/10 – Escola de Samba União das Cores, 19h.

Os ingressos são gratuitos e serão distribuídos 1h antes das apresentações. .

Com apresentações gratuitas no Paschoal Carlos Magno e no Teatro da Praça Ceu, a Trupe Qualquer apresenta “Café com Leite”, a história de Ana, menina que decide ser “café com leite” em todas as brincadeiras para adiar responsabilidades da pré-adolescência. Com texto e direção de Rafael Coutinho, a peça mistura humor, poesia e música ao vivo para falar sobre amadurecimento e o direito de ser criança.

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Apresentações:

25/09 -Teatro Paschoal Carlos Magno, 14h30; 

26/09 – Teatro Paschoal Carlos Magno, 9h e 14h30;

06/10 – Teatro Praça CEU , 9h; 13h30 e 15h30.

Instituições de ensino interessadas devem preencher um formulário on-line.

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