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A árvore de Beckett e as sementes do teatro

A árvore de Beckett e as sementes do teatro

(Foto: Pedro Moysés)

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Na última segunda-feira (13), completaram-se 120 anos de nascimento de Samuel Beckett. Autor de uma das dramaturgias mais influentes do século 20, Beckett, no pós-guerra, ajudou a consolidar aquilo que a crítica passou a chamar de teatro do absurdo, um teatro que encara o vazio, a repetição e a falta de sentido não como obstáculos, mas como material de trabalho. Em suas peças, o mundo parece suspenso. 

Mas talvez a maior força do teatro absurdo esteja justamente naquilo que ele revela: mesmo diante da existência, absurda como for, algo continua. O teatro permanece como gesto humano. Como escreveu o próprio Beckett em Esperando Godot: “É preciso continuar.”

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No palco quase nu de Esperando Godot, há apenas um elemento que rompe a aridez da paisagem: uma árvore, ponto de onde os personagens esperam a chegada de Godot. Em um ato, ela aparece seca; em outro, surgem algumas folhas. É um detalhe mínimo, que pode passar imperceptível ao público menos atento, mas que carrega uma profunda simbologia para o espetáculo: é a renovação do tempo.

Na última sexta-feira (10), o Grupo Divulgação encerrou mais uma edição do Mergulhão Teatral com a apresentação “Pedra vai rolar”. O espetáculo, que fala da perda, foi inspirado pela música de Maurício Tapajós, ‘A pedra vai rolar’. O resultado do processo formativo foi apresentado em duas sessões no Forum da Cultura.

Mais do que um espetáculo, o encerramento marcou o fim de um percurso de aprendizagem. Ao longo do processo, novos atores experimentaram o palco, enfrentaram a palavra e se depararam com o frio na barriga causado pela presença diante do público.

Pode parecer pouco, mas é exatamente assim que se constrói o teatro de um povo: com sementes.

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Cada curso, cada oficina, cada experiência formativa planta algo que talvez só floresça anos depois. Muitos dos artistas que hoje ocupam os palcos da cidade começaram assim: em cursos livres e em projetos de formação. Como na árvore de Beckett, o crescimento pode ser discreto. Mas ele acontece. Afinal, a semente está plantada.

Quando essas sementes encontram também o público jovem, o efeito pode ser ainda mais profundo. É justamente esse o espírito do projeto A Escola Vai ao Teatro, iniciativa da Associação de Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (APACJF), que busca aproximar estudantes da experiência teatral.

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O projeto, que acontece entre os dias 10 de abril e 30 de maio, busca democratizar o acesso ao teatro e fortalecer a formação de público na cidade. A iniciativa foi contemplada pelo edital de ocupação do Teatro Paschoal Carlos Magno.

A ação contempla estudantes da rede pública de ensino com uma programação totalmente gratuita, estruturada em duas etapas complementares. Na primeira fase, serão realizadas cinco apresentações no Teatro Paschoal Carlos Magno, possibilitando a vivência de um equipamento cultural da cidade. Já na segunda fase, o projeto leva o teatro diretamente para dentro das escolas públicas, com mais cinco apresentações, ampliando o alcance da iniciativa e aproximando ainda mais a linguagem cênica do cotidiano dos estudantes.

Os espetáculos apresentados são:

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A programação completa pode ser encontrada no perfil da ApacJF no instagram, @apacjf

Vem aí… 

O grupo Cravo Verde monta o clássico Antígona no Teatro Paschoal Carlos Magno, nos dias 18 e 19 de abril, às 19h. Os ingressos podem ser adquiridos por meio da plataforma Uniticket.

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