Da base ao acabamento

Por Ricardo Smyllie
Estudante de Direito do Instituto Vianna Júnior

Por Por Ricardo Smyllie Estudante de Direito do Instituto Vianna Júnior

11/10/2017 às 06h30 - Atualizada 10/10/2017 às 21h02

Todo construtor que se preze sabe que a fundação de uma obra é o que há de mais importante: sobre os pilares se sustentam a estrutura e todo o restante. Não há uma boa construção sem sólidos fundamentos.
Nossos pais e avós, em sua ampla maioria, não tiveram acesso ao ensino superior, mas tiveram formação fundamental invejável: na outrora denominada “quarta série do primário”, sabiam ler e escrever bem, além de dominar as operações básicas da matemática.

O ensino público atual no país é criticado mundialmente pela superficialidade. Temos alunos no ensino médio que são analfabetos funcionais, temos universitários sem capacidade de análise crítica de informação.
Nos últimos anos, o número de vagas no ensino superior cresceu exponencialmente, como resultado da questionável política de aumento de vagas nas universidades sem que tivesse a mesma preocupação com a raiz do problema, o ensino fundamental. É como um prédio grandioso e cheio de gente, mas inseguro por não ter boa estrutura.
Nossas escolas primárias têm alunos nascidos no século XXI, mas a didática é a mesma de 200 anos atrás. Nossas salas de aula são mal equipadas, nossos professores são mal remunerados, e os alunos, em geral, indisciplinados. E o que nós estamos fazendo para mudar isso?

O conteúdo continua após o anúncio

Fora da sala de aula, as brincadeiras foram substituídas pela interação nociva em redes sociais. Basta lembrar que, antigamente, brincavam de pique; hoje, os jogos que envolvem assassinato e fuga da polícia são quase unanimidade.
Precisamos rever com urgência o formato atual das escolas. É necessário usar a tecnologia a favor do ensino de base e fornecer alternativas para que o ócio nocivo das crianças seja substituído pelo lazer cultural e a formação moral e social. E tudo isso com o acompanhamento dos familiares e a atenção da comunidade.
A reforma mais urgente de que precisamos não é a política, nem a previdenciária, nem a trabalhista: é a recuperação dos fundamentos da educação primária. Se for necessário, como bons construtores, devemos estar prontos para refazer tudo da maneira certa, da base ao acabamento.

Leia também

Desenvolvido por Grupo Emedia