Medicamentos em desuso ou vencidos

Por Por Gabrielle Rabelo Quadra, Fábio Roland, Nathan Oliveira Barros (Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Laboratório de Ecologia Aquática da UFJF) e Pâmela Souza A. Silva (Departamento de Farmacologia da UFJF)

07/12/2017 às 07h00

Você tem medicamentos vencidos ou que não utiliza mais guardados em casa? Sabe o que fazer com eles? Qual o destino correto dessas substâncias? Medicamentos são produtos farmacêuticos utilizados para melhorar a qualidade de vida do paciente (com finalidade profilática, curativa, paliativa ou ainda para fins de diagnóstico). Apesar dos benefícios, toda a gama de compostos sintéticos produzidos pela indústria farmacêutica apresenta potencial para alcançar os recursos naturais (rios, lagos, lençol freático, etc.).

Os efeitos dos medicamentos administrados pelo uso humano, veterinário e dos resíduos de produções industriais na natureza são intensos. A poluição por fármacos é um problema difuso. Na medicina humana, os principais caminhos para atingirem o ambiente são o descarte incorreto e a excreção das substâncias consumidas. Quando alcançam as estações de tratamento de água e esgoto, estes compostos não são completamente removidos, já que as unidades não são desenvolvidas com esta finalidade.

Diversos compostos farmacêuticos já foram detectados em águas superficiais brasileiras, e os efeitos destes compostos podem ser tanto para os organismos aquáticos como, indiretamente, para os seres humanos, com efeitos toxicológicos, endócrinos e ecológicos. Além disso, por serem substâncias constantemente lançadas in natura nos ecossistemas, os organismos ficam expostos ao longo da vida, levando à exposição crônica.

Existe ainda uma complexidade de estruturas químicas no ambiente, que, em contato com os fármacos, pode gerar uma combinação de efeitos nocivos. Esses efeitos compostos no ambiente não são completamente conhecidos, e, portanto, controlá-los é essencial. O saneamento já é um problema no Brasil e, em tempos de crises econômicas e sociais, ele continua a ser tratado como um problema secundário. O estabelecimento de regulamentações para os contaminantes deve ser prioritário em políticas públicas.

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A cidade de Juiz de Fora aparece como um exemplo singular ao criar a lei municipal que visa controlar o descarte incorreto de medicamentos em desuso ou com prazo de validade expirado (Lei 13.442 – de 10 de agosto de 2016). Cabe a nós, cidadãos, utilizar medicamentos de maneira responsável e dar o destino correto aos medicamentos vencidos ou impróprios para o consumo que temos em nossas casas. Devemos entregá-los em uma farmácia ou drogaria de Juiz de Fora a fim de que sejam encaminhados corretamente para o aterro sanitário ou incineração.

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