Canil municipal x protetores

Por Gustavo Alves Rattes, colaborador

06/12/2017 às 06h30

Recentemente, foi publicada, na mídia de nossa cidade, a situação atual em que se encontra o Canil Municipal de Juiz de Fora: falta de higiene e de assistência veterinária a cães, gatos e cavalos, esgoto a céu aberto, mato alto, dentre outros problemas que apenas prejudicam os pobres animais. Em síntese, podemos adiantar que esses fatos são decorrentes da falta de continuidade de políticas públicas. Infelizmente, essa situação tem afetado milhares de municípios brasileiros, porque, costumeiramente, um trabalho antes iniciado com sucesso, mais adiante, perde fôlego por vários fatores, mesmo sem uma análise técnica plausível que consiga explicar o inexplicável: má gestão pública brasileira, que culmina no desmazelo do dinheiro público.

No outro lado do cabo de guerra, assistimos pelas redes sociais a grupos de protetores animais se digladiando pelos mais diversos assuntos relacionados aos animais, e esses são os únicos prejudicados, porque perde-se um tempo de ação que poderia ser trabalhado em prol da proteção animal. É uma pena que essas pessoas ocupem a maior parte do seu tempo com discussões tolas, vez por outra ofendendo ou inflando seus egos em busca de vaidades. Com certeza, esse não é o melhor caminho para solucionar os problemas de proteção animal de nossa cidade.

Laswell conseguiu definir de uma forma bastante simples e dinâmica o que vem a ser política pública: “Decisões e análises sobre política pública implicam, em linhas gerais, responder às questões: quem ganha o quê, por quê e que diferença faz”. Dessa forma, podemos identificar os atores pertinentes à proteção animal de Juiz de Fora: a sociedade civil e os animais de rua ganham, porque é um resultado de gestão pública, e a diferença se reflete nas ruas e na consciência de cada cidadão.

Dentro desse ambiente de trabalho, cabe ao gestor público atuar com ética e de maneira imparcial, de modo que, por exemplo, todos tenham acesso ao Castramóvel e também às clínicas veterinárias que auxiliam na castração animal e que, por motivos alheios, precisam recorrer a esse benefício, porque trabalham em horários não condizentes com o primeiro recurso, deixando a exclusividade de lado e priorizando a inclusividade.

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Sejamos mais racionais que cães e gatos: menos brigas e gestão pública de qualidade. Priorize a adoção de animais de rua, diga não a quem vende animais domésticos e aprenda a ser leal com eles!

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