Linha tênue entre mulheres e violência

por Ariadne Bedim, estudante de jornalismo

Por Tribuna

05/10/2017 às 07h50 - Atualizada 05/10/2017 às 07h50

A mulher dá à luz. Ela é o fio condutor para que uma lâmpada acenda. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 180 pessoas nascem no mundo por minuto. Entretanto, na mesma proporção, a ONU estima que 102 pessoas morram por minuto dos mais variados motivos. Então, a mulher perde a luz, e da pior maneira: ela lhe é tirada. Estudo feito pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, com o apoio das Nações Unidas, mostra que 13 mulheres são assassinadas por dia, em média, no Brasil – uma a cada duas horas.

Na sociedade machista, violenta e patriarcal em que vivemos, as mulheres são consideradas o sexo frágil. Por esses motivos, tornam-se sempre o alvo de violência. Violências patrimonial, física, psicológica, sexual, moral e verbal contra mulheres levam ao feminicídio, termo usado para se referir ao assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher. Parece não fazer sentido, e realmente não faz. Trata-se de um crime de ódio, e as vítimas são, em sua maioria, mulheres negras. Segundo dados do Mapa da Violência 2015, com uma taxa de 4,8 assassinatos em cem mil mulheres, o Brasil está entre os países com maior índice de homicídios femininos, ocupando a quinta posição em um ranking de 83 nações. Para combater essa brutalidade, a Lei Maria da Penha foi criada e completou 11 anos este ano. Segundo a Organização das Nações Unidas, a lei é a terceira melhor e mais avançada no mundo em relação ao enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.

Pela busca de mais métodos de sobrevivência e resistência, elas encontram conforto e segurança nas lutas de defesa pessoal, como as artes marciais. De acordo com a Federação Sul Americana de Krav Maga, o público feminino já representa 30% do total de alunos. Outra forma de lutar contra a opressão é através de manifestações, em que, unidas e com uma só voz, elas ecoam o sentimento igualitário. O movimento Ni Una Menos (Nem Uma a Menos), por exemplo, nasceu na Argentina em 2015, depois do assassinato de Chiara Paez, adolescente de 14 anos, que estava grávida e foi morta a pauladas pelo namorado, de 16. A iniciativa cruzou fronteiras, transmitindo o caráter de luta para a América Latina e a Espanha e recebendo o apoio de muitas pessoas.

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Algumas ações foram citadas, e, apesar da existência de todas elas, que são exploradas e criadas como uma tentativa (falha?) de solucionar a opressão sofrida pela mulher, o problema está intrínseco na sociedade e acontece diariamente. É necessário um processo árduo e intenso de desconstrução. Por fim, ser mulher é parto, é dor e é medo. Mas unidas elas se fortalecem e encontram sua própria luz umas nas outras. Dessa forma, criam forças para lutar. Elas não estão sozinhas. A luta vai crescer e pretende revolucionar.

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