Brasil – Um país à deriva

Celso Pereira Lara, funcionário público aposentado

Por Tribuna

03/10/2017 às 06h30

A situação do país chegou a tal ponto que denunciar o melhor amigo virou uma excelente forma de negócio. Investir em benefícios da lei é a grande chance de não ficar o resto da vida atrás das grades. Nem tudo está perdido para o criminoso quando se tem à sua disposição a delação premiada, recheada de abrandamentos da pena, quase a ponto de coroá-lo, elevando-o à categoria de salvador da Pátria! O perigo é que essa concepção possa servir de incentivo a crimes e gerar vícios da denúncia.

O Brasil vive um de seus piores momentos em matéria de crise, e todas ao mesmo tempo, como se tudo tivesse sido combinado: crise financeira, política e institucional. Todas insanáveis e com origem na corrupção.

O presidente Temer ainda nem escapou das revelações feitas em gravação, e novas já estão por chegar. Até alguns ministros do STF, que tem a maioria indicada por Lula e Dilma, estão sob suspeição, conforme gravação de conversa entre Joesley e Ricardo Saud. A República vai muito mal das pernas, e, mesmo desfazendo todas essas acusações, a credibilidade das esferas de poder vai sair arranhada até a alma! Portanto não há chances de restaurar esta República, principalmente porque, quando um governo perde a confiança do povo, o melhor a fazer é fechar o Congresso!

O espanto causado à população foi grande quando surgiu o vídeo em que aparecia Loures, o interlocutor de Temer, com o empresário Joesley, carregando uma mala com 500 mil. Que coisa mais comprometedora, hein? Em pouco tempo, a PF descobre 51 milhões arrumadinhos em diversas malas num apartamento cedido ao ex-ministro de Lula, Dilma e Temer. Estaria Geddel – o homem de confiança de Temer – tentando reduzir a inflação, contribuindo para a melhoria do poder de compra da população, ao represar tantos milhões de reais na sala do apartamento, diferentemente de Collor, que preferiu confiscar todo o dinheiro da economia, autorizando os bancos a bloquearem a poupança e outros ativos? O confisco no sistema financeiro foi considerado um sequestro dos bens dos investidores – os chamados rentistas, tão odiados pelos socialistas. Daí em diante, o sequestro financeiro ocorre diretamente nos cofres públicos, via BNDES, Petrobras e outras. O esquerdismo é a negação de si mesmo. Uma renca de malfazejos!

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Um governo cuja cúpula do partido no Senado esteja totalmente envolvida em corrupção, seja por delação, gravação ou grampo telefônico, não é digno de permanecer conduzindo a nação. Os descaminhos e os malfeitos ferem de morte os pilares do regime democrático, e isso leva a concluir que o impeachment de Dilma foi uma farsa, e o seu fatiamento (com a permanência dos direitos políticos) comprova que o objetivo era dar continuidade ao sistema corrompido há 30 anos. PT e PMDB eram considerados unha e carne, ambos ligados por um ideal: perpetuar-se no poder para saquear a nação!

Aqueles que criticavam o instituto da delação, comparando-o a um espetáculo de pirotecnia, já não o fazem mais, apenas alegam que o delator visa tão somente se livrar das penalidades, atribuindo mentiras ao principal envolvido no esquema. A narrativa da espetacularização perdeu o brilho diante de tantas provas surgidas ao longo de novos depoimentos feitos por aqueles que integram o alto escalão da organização criminosa. As delações acontecem em sequência (a fila é extensa), cada um relatando como pode para se livrar do peso da condenação. Resta saber quem será o último a delatar, e nesse caso só lhe resta a confissão.

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