Saideira de Janot

Procurador tem apenas esta semana para definir várias demandas, sendo a denúncia contra o presidente a mais importante, mas terá que indicar provas robustas para o caso ir adiante

Por Tribuna

12/09/2017 às 06h30

Na sua última semana à frente da Procuradoria-Geral da República, Rodrigo Janot terá uma saideira daquelas. Tem como plano elaborar nova denúncia contra o presidente Michel Temer, mas ainda tem que explicar o que conversava com um dos advogados do empresário Joesley Batista num bar de Brasília, um dia após pedir a prisão do poderoso dono da JBS, que, por sinal, se entregou na noite de domingo, após ordem de prisão decretada pelo ministro Edson Fachin.

Pressionado pela instância política, após o vazamento de uma conversa de Joesley com o assessor – também preso -, o procurador-geral precisa definir suas metas decisivas e seus fundamentos. A pura denúncia contra o presidente da República, apenas para cumprir tabela, não basta. É fundamental, se for mesmo levar sua ideia adiante, que se escude em provas robustas, a fim de garantir um eventual processo. Caso contrário, no apagar das luzes de sua gestão, em vez dos holofotes, enfrentará a crítica dos adversários e o fogo amigo dos que nele confiaram. Um dos advogados de Joesley questionou duramente os últimos passos do procurador.

A prisão dos empresários e a revogação dos benefícios da delação premiada, defendidas pela unanimidade das ruas, embora não coloquem em xeque o instituto da delação, abrem dúvidas para eventuais interessados, temerosos de novos recuos dos procuradores. Trata-se de um equívoco, pois o erro não está na delação, mas no acordo firmado que garantiu direitos que só beneficiaram o infrator.

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Quando permitiu que os irmãos controladores da JBS tivessem uma anistia plena, geral e irrestrita, os procuradores erraram na mão, sobretudo pelo descumprimento, da outra parte, do que deveria entregar como moeda de troca. Nas gravações, encaminhadas há cerca de 15 dias, ficou claro que ainda há muito a ser dito, e o que foi dito, a partir desses novos eventos, deixou dúvidas sobre sua veracidade, salvo aqueles materialmente comprovados, como as provas contra o presidente da República.

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