Fora do muro

Definição das regras eleitorais será decisiva para os candidatos, mas questões internas dos partidos ainda deixam suspensas as decisões

Por Tribuna

02/09/2017 às 06h00

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao ser confrontado por uma pesquisa que o compara à senadora Hilary Clinton, dos EUA, que teve mais votos, mas não ganhou a presidência americana, finalmente desceu do muro e disse que pretende ser o candidato de todos os brasileiros não apenas do establishment, como sua colega americana. O gesto não surpreende, mas, pelos padrões do governador, não deixa de ser novo, pois ele mantém uma postura típica do seu próprio partido, de adiar para o limite as decisões. Desta vez, pelo menos ante tais números, desceu do muro, mas nada garante que terá a mesma postura daqui por diante. O PSDB ainda tem dúvidas sobre qual será o nome ideal para ir à luta contra o ex-presidente Lula, virtual candidato do Partido dos Trabalhadores. Os tucanos acham que o prefeito da capital paulista, João Doria, tem mais perfil de enfrentamento, mas até este, diante das críticas, tirou o pé do acelerador.

Fica claro, porém, que a sucessão, de novo, se dá em campo paulista, com oito anos de Fernando Henrique Cardoso e outros oito de Luiz Inácio Lula da Silva, sem contar a interinidade do também paulista Michel Temer. É certo que outros atores entrarão no palco, mas a disputa já começa a ganhar corpo mesmo sem garantias sob que regras será feita a eleição de 2018. Como o voto presidencial já é majoritário, a discussão se fecha mais em torno dos deputados, que não sabem se ficam com o distritão puro, com o misto ou mantêm as atuais regras do proporcional.

E é por conta dessa dúvida que o jogo para o Congresso e assembleias ainda se dá mais nos bastidores do que oficialmente. Ninguém se arrisca a se colocar no páreo sem saber como será o embate. Como a Tribuna mostrou em matéria na sexta, ainda há incertezas em torno dos candidatos. A cidade, por exemplo, tem a possibilidade de ter Júlio Delgado e Bruno Siqueira tentando uma vaga para o Senado, mas ainda é cedo para tais apostas ante a indefinição dos cenários. Além disso, ambos precisam avaliar as questões internas de seus partidos – PSB e PMDB respectivamente – em função de pendências que precisam ser resolvidas.

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Os peemedebistas ainda não sabem qual corrente irá prevalecer, se a do vice-governador e presidente do diretório, Antônio Andrade, ou do presidente da Assembleia, Adalclever Lopes. Essa definição é decisiva para o partido. Entre os socialistas há o fator Marcio Lacerda. O deputado Júlio Delgado foi convidado a compor e disputar o Senado, mas o próprio Marcio pode se apresentar caso perceba que o caminho para o Palácio é árido demais para suas pretensões. Só o tempo dirá.

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