Árbitro assistente da CBF explica possibilidades do árbitro de vídeo

O programa Mesa Quadrada, da Tribuna, recebeu nesta segunda o árbitro assistente Herman Brumel Vani, que esmiuçou a função após realizar curso de capacitação

Por Bruno Kaehler

13/11/2017 às 19h34

Para o juiz-forano, “o árbitro de vídeo tem tudo para melhorar o comportamento dos jogadores, equipes e torcedores” (Foto: Leonardo Costa)

As discussões nas mesas de bares ganharam, há pouco mais de um ano, um tema polêmico: o árbitro de vídeo (VAR). Implementado nas semifinais da Copa Libertadores e recentemente em amistoso da Seleção Brasileira com o Japão, a medida é fonte de dúvidas quanto à sua utilização, ainda não oficializada na elite do esporte no Brasil. O programa Mesa Quadrada, da Tribuna, recebeu nesta segunda-feira (13) o árbitro assistente Herman Brumel Vani, que esmiuçou a função após realizar curso de capacitação em outubro. Para o juiz-forano, também educador físico formado na UFJF, pertence ao quadro da CBF desde 2004, “o árbitro de vídeo tem tudo para melhorar o comportamento dos jogadores, equipes e torcedores”. Confira parte da entrevista.

Tribuna de Minas – Você é a favor do árbitro de vídeo nos moldes propostos pela FIFA?
Herman Brumel – É um projeto novo e criado por brasileiros, que estão testando isso há bastante tempo, uns dois anos. Dá muito trabalho, às vezes as pessoas querem implantar na marra, mas não dá para ser assim. Tem que ser pesquisado, testado, estudado. E claro que sou a favor. Está em um período de teste que a FIFA autorizou de 2016 a 2018 em competições, sendo que tem que ser previamente avisado na FIFA, que vai ver se será aprovado ou não daqui a dois anos. A aprovação do árbitro de vídeo tem tudo para melhorar o comportamento dos jogadores, equipes e torcedores.

– Como ele deve ser aplicado?
– É para lances claros. Esse é o primeiro ponto. Lance de interpretação continua sendo do árbitro central. Há quatro situações só (em que o VAR atua): lance de pênalti, cartão vermelho, gol ou não, e troca de jogador, se expulsar o atleta errado, por exemplo. Só vai parar o jogo nessas quatro situações. O árbitro de vídeo estará vendo o jogo inteiro de uma cabine no estádio ou próximo ao local. Ele irá interromper de duas maneiras. Pode dar a informação ao árbitro central, como se a bola saiu antes de o cara fazer o gol. No rádio ele conta isso, e o árbitro central faz o sinal de vídeo para mostrar que a informação veio do VAR. Ou quando a bola não para, como em um pênalti (não marcado) em que o jogo continuou. O árbitro de vídeo pode falar para o central que está checando o lance e, quando o jogo for para uma zona segura ou a bola sair, o árbitro principal ou checa o lance em um monitor na beirada do campo, ou o VAR toma a decisão para ele. Se o central continuar na dúvida, pode ir no monitor. A decisão continua com o árbitro central. O assistente informa, auxilia. Isso foi feito para não atrapalhar a dinâmica do jogo.

– Não há como um técnico, por exemplo, pedir para repetir um lance?
– Nunca. Sempre será decisão da arbitragem. O jogador que fizer o sinal da televisão tem que ser advertido com o cartão amarelo. Apenas o árbitro central pode pedir. Nem os assistentes podem.

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– Há uma orientação sobre o tempo de decisão da arbitragem após o lance?
– A orientação é a de que, a partir do momento em que tem um lance polêmico, você deve resolver com a decisão correta. A cobrança vai ser maior agora. O árbitro de vídeo terá replay, câmera lenta, vários ângulos. O VAR vai trabalhar com todas as câmeras que a televisão tiver na transmissão. Nunca menos. Mas depois da paralisação, o que normalmente dura menos que um minuto, a orientação é de ter a decisão correta.

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