Tem atacante juiz-forano na Série C da Tailândia

Desde dezembro de 2015 no país asiático e após sofrer com adaptação, Victor Moraes, o Victinho, 25 anos, defende o Kasem Bundit University FC e conta como é jogar no outro lado do planeta

Por Bruno Kaehler

06/12/2017 às 07h00

 

Antes de aportar em Bangcok, capital tailandesa, Victinho passou pelo futsal e futebol de campo do Tupi, além de Tupynambás e Bonsucesso em Juiz de Fora. (Foto: Leonardo Costa)

Juiz de Fora possui atletas espalhados por várias partes do planeta. Um deles é Victor Moraes, o Victinho, 25 anos. Atacante com extensa passagem pela base local, o jogador defendeu, em 2016, Trang FC e o Kasem Bundit University FC, equipes da Thai League 3, a “Série C” da Tailândia, sendo que ficou neste último até o fim da temporada 2017. E antes mesmo de ter que encarar os zagueiros da competição asiática, ele passou dificuldades para se adaptar à culinária e idioma tailandeses.

“Quando cheguei lá pesava 74kg. Nos dois primeiros meses perdi rápido 5kg, porque lá é só sopa, pimenta e peixe. Depois achamos o feijão e passamos a comer com arroz, bife e batata frita. A comissão técnica, com brasileiros, já estava acostumada com a culinária de lá e não me passou nada no começo! Um brasileiro, o Marcos Júnior, que estava no Trang comigo, é que me ajudou muito, porque senão só estaria comendo pimenta e tomando sopa até hoje”, brinca Victinho. Outro obstáculo foi a comunicação. “No começo eu ficava mudo. O Marcos ia me ensinando o básico, e agora consigo falar algumas palavras. E sei que preciso estudar inglês se não fico para trás”, relata o atleta.

Até conhecer Bangcok, capital tailandesa, Victinho passou pelo futsal e futebol de campo do Tupi, além de Tupynambás e Bonsucesso em Juiz de Fora, equipe que criou um vínculo mais forte na cidade. A partir de 2011, ele deixou Minas para novos desafios. Vestiu as camisas do Serra Macaense (RJ), América-RJ, Grêmio Prudente e Bonsucesso (RJ), onde disputou a Copa Rio de 2015. Quando as oportunidades pareciam escassas, veio o convite do exterior. “Fiquei parado um ano e recebi a proposta para ir à Tailândia, no Trang, em que joguei o turno da Thai League e a Copa, e depois o Kazen Bundit me chamou para disputar o campeonato em 2017.”

Na equipe tailandesa, Victinho usufruiu de estrutura invejável em projeto que envolve maioria de jovens atletas, com dois campos, academia, piscina e até massagem. “É um time de universidade. Dão bolsa para os meninos que estão saindo do colégio para ir jogar lá. Tem vários esportes, como futsal, futebol feminino, vôlei de praia. E a universidade tem tudo, é um privilégio sensacional estar lá. Cheguei como contratado e não pude estudar porque meu histórico está no Brasil. Mas no ano que vem vou conseguir, penso em fazer um tailandês e um inglês para aprimorar a comunicação um pouco”, projeta o atacante que joga preferencialmente belas beiradas.

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“Terceirona” e “Bombonera” tailandesas

A Thai League 3 é disputada, ao todo, por 32 times divididos em dois grupos regionalizados por Sul e Norte do país, com 16 equipes em cada chave na fase classificatória. O líder de cada conferência sobe à Thai League 2. Tecnicamente, há uma diferença em relação à terceira divisão brasileira. “Lá não tem Estadual, mas o principal campeonato é igual ao Brasileirão aqui, com primeira, segunda e outras divisões. A Thai League 3, em comparação com a Série C daqui, é um pouco pior tecnicamente e mais corrida. No Brasil, os mais experientes vão para a Série C, enquanto lá dão preferência para a garotada”, explica Victinho.

Curiosamente, o “mini-estádio” do Kasem Bundit, como o próprio atacante descreveu, é comparado, guardadas as devidas proporções, ao mais popular palco esportivo da Argentina, mesmo sem tantos espectadores. “No começo de temporada vai mais o pessoal da faculdade e familiares. Depois, na reta final, dá pra encher o estádio, o pessoal das redondezas gosta de futebol. Brincamos até que é a La Bombonera da Tailândia”, conta.

O contrato de Victinho com o Kasem terminou no final da temporada 2017, mas o jogador irá, inicialmente, retornar à Tailândia. Ainda assim, a vontade de voltar ao Brasil e o sonho de jogar na Europa seguem em mente. “O presidente do Kasem Bundit já veio conversar comigo e, quando eu voltar, vou ver questão de salário, tempo de contrato. Mas vai que aparece alguma coisa melhor, não é?! Penso em subir mais um degrau, sempre um de cada vez, para quem sabe um dia chegar à Europa. Tenho saudades de jogar no Brasil, mas se não tiver oportunidades, a intenção é conseguir ir para a Europa.”

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