Após manifestação contra aumento da passagem, grupo ocupa Câmara Municipal

Cerca de 60 pessoas, que adentraram Casa após concessão do Título de Cidadão Honorário, afirmam que só sairão do local quando valor da tarifa for reduzido

Por Marcio Santos e Fabíola Costa

09/10/2017 às 18h54 - Atualizada 09/10/2017 às 22h31

Após manifestarem-se contrários ao aumento da passagem dos coletivos urbanos pelas ruas de Juiz de Fora, um grupo de jovens ocupou as dependências da Câmara Municipal da cidade na noite desta segunda-feira (9). A entrada na Casa deu-se por volta das 21h, após a concessão do Título de Cidadão Honorário de Juiz de Fora a José Francisco Neres, o último preso político libertado, em 1979, após a anistia.

De acordo com uma das organizadoras do movimento, a estudante Laiz Perrut, cerca de 60 pessoas, representando movimentos sociais, estudantis e da classe trabalhadora, pretendem só sair de lá quando o valor da passagem – atualmente R$ 3,10 – for revogado. Os manifestantes já teriam chegado ao local com comida, água e colchões para ficarem lá por vários dias.

A estudante disse que conversou com o presidente da Casa, o vereador Rodrigo Mattos (PSDB), sobre a situação e o parlamentar disse aos ocupantes que a Câmara não pode votar a revogação da passagem. No entanto, o grupo reforça que a ocupação não tem data para terminar e, como a maioria dos vereadores é da base aliada do Prefeito Bruno Siqueira (PMDB), eles querem que os parlamentares busquem um entendimento com o prefeito para que a situação seja resolvida. Além do presidente da Casa, estavam na Câmara na hora da ocupação os vereadores Betão (PT) e o vice-presidente da Câmara, José Márcio Garotinho (PV).

A Tribuna tentou contato com a assessoria da Prefeitura, sem sucesso, e com o vereador Rodrigo Mattos, que disse ainda não ter um posicionamento oficial sobre os rumos da negociação entre as partes, até por volta por volta das 22h.

Manifestação pelas ruas de JF

Depois de se concentrarem por cerca de uma hora em frente à Câmara, manifestantes desceram e fecharam as pistas da Rio Branco (Foto: Olavo Prazeres)

Horas mais cedo, o grupo de manifestantes saiu às ruas em protesto contra a alta, que chegou a 12,7% em Juiz de Fora. A manifestação, ocorrida pela segunda vez em menos de uma semana, foi realizada pelas redes sociais e mobilizou, inicialmente, cerca de 50 pessoas, em sua maioria estudantes, que portavam bandeiras de partidos políticos, instrumentos e caixas de som, em frente à Câmara Municipal. Por volta das 18h15, o grupo seguiu em direção ao Calçadão da Rua Halfeld e interrompeu o tráfego de ônibus e de carros por cerca de cinco minutos, causando engarrafamento, principalmente para os motoristas que seguiam em direção ao Manoel Honório. Um motorista tentou furar o bloqueio, acirrando os ânimos no local. Ele foi advertido verbalmente pela PM por quase atropelar os manifestantes. Devido à confusão, o bloqueio continuou por, pelo menos, mais cinco minutos, aumentando os transtornos. Motoristas e motociclistas engrossaram o coro, com gritos de “Fora Bruno” e contra o aumento da passagem.

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Viaturas da Polícia Militar e guardas municipais acompanharam a concentração. O ato foi organizado pela Frente Brasil Popular e pelo Povo sem Medo – Juiz de Fora. Com o lema “Juiz de Fora contra o aumento da passagem, R$ 3,10 não dá!”, o grupo questionou o reajuste de R$ 0,35. “Sabemos como isso fica extremamente pesado no bolso dos (as) trabalhadores (as) e da juventude e, por isso, não podemos aceitar esse absurdo”, postou nas redes sociais. Segundo uma das organizadoras do protesto, Laiz Perrut, vários movimentos sociais estão representados, como a Marcha Mundial das Mulheres e a União Estadual dos Estudantes.

O aumento também é criticado pelo Consórcios Integrados do Transporte Urbano de Juiz de Fora (Cinturb). Para a entidade, no patamar atual, apenas reduz o déficit com os custos de operação, mas não torna o sistema equilibrado. Procurado nesta segunda (9), o Cinturb não informou se decidiu (ou não) entrar na Justiça contra a nova tarifa. “A questão ainda está em avaliação”, afirmou, por meio de sua assessoria. No entendimento da entidade, o valor necessário para manter equilibrados os custos de operação do sistema é de R$ 3,37. A Secretaria de Transportes e Trânsito (Settra) preferiu não se manifestar sobre o protesto, nem sobre a possibilidade de o Cinturb acionar a justiça.

Decisão

A oficialização do aumento aconteceu por meio de decreto do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) publicado no último dia (30). A justificativa é a de que o reajuste “é o único meio capaz de assegurar a continuidade, a boa qualidade dos serviços públicos prestados aos usuários e o equilíbrio econômico-financeiro do sistema”. A planilha de cálculo tarifário, que embasa o reajuste, foi apresentada dois dias antes ao Conselho Municipal de Transportes, órgão que não tem poder deliberativo, mas consultivo. O conselho decidiu não emitir parecer sobre o valor definido para o reajuste, apesar de não apontar irregularidades na análise da planilha. Atendendo a uma exigência legal, o documento foi apresentado também em audiência pública na Câmara Municipal, reunião que, mais uma vez, não teve caráter deliberativo. Os vereadores não tiveram direito a votar contra ou a favor do aumento.

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