Chargista da Tribuna é homenageado no 29° Salão de Humor de Volta Redonda

Um dos fundadores do salão, Mário Tarcitano expõe retrospectiva de sua carreira

Por Carime Elmor

04/12/2017 às 19h25

“Milton”, de 1987, é um dos trabalhos de Mário, que expõe retrospectiva de sua carreira.

Em 1985, Mário Tarcitano acabava de entrar para a Secretaria de Cultura de Volta Redonda (RJ), cidade onde vivia antes de se tornar um bom juiz-forano e atuar como chargista da Tribuna. Naquela época, frequentava salões nacionais expondo suas caricaturas e charges, ainda em preto e branco e feitas à mão, compatíveis com o mundo analógico. Teve a oportunidade de ir ao Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que acontece anualmente desde 1974. Alexandre Clemente, que trabalhava junto ao chargista, sugeriu que ele tentasse trazer a ideia para Volta Redonda. Tiveram em mãos a “mala direta”, a lista completa de endereços dos participantes de Piracicaba, cedida pelo diretor do evento, e começaram a enviar as cartas de convite para o primeiro Salão de Humor de Volta Redonda.

Na 29ª edição, Mário Tarcitano foi escolhido para ser homenageado, tanto pela idealização do projeto, quanto por todos os anos que recebeu prêmio de “Melhor Trabalho de Volta Redonda” e também pelos mais de 20 anos como membro da Comissão Julgadora, ao lado de nomes como Amorim, que começou publicando no Pasquim, e Mayrink, assistente de arte de Ziraldo no iniciozinho de seu percurso. Mário, além de ter ajudado a atual comissão a selecionar mais de 1.200 trabalhos que receberam não só de profissionais do Brasil, mas também de mais de 15 países, participou, junto a desenhistas da região, de uma roda de conversa e também expôs charges e caricaturas em uma mostra individual, destaque desta edição. O chargista selecionou 56 obras desde 1984 até produções contemporâneas, são caricaturas de figuras da cidade fluminense e principalmente charges com teor político, incluindo algumas mais ácidas e polêmicas inéditas, nunca publicadas no jornal.

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“Como eu estou em Juiz de Fora, tinha pouco contato com cartunistas e chargistas atuantes hoje em Volta Redonda, passamos o dia juntos fazendo trabalho de seleção e pude conhecê-los.” Mário conta que a intenção do Salão de Humor vai muito por aí, fazer com que novos criadores mostrem suas produções para que haja uma troca. “Esse é o grande mote do salão, eu tentei participar de um salão há muitos anos, e meus trabalhos foram recusados, fiquei me perguntando, porque a gente não tem noção das outras produções. Aí quando fui ver os trabalhos selecionados, entendi o nível de profissionalismo. Isso foi muito tempo atrás, quando comecei. O salão faz a gente ver o que as pessoas estão fazendo, quais técnicas estão usando, é importante para melhorar o seu trabalho.” E como tem bastante gente produzindo, o evento serve como um grande estímulo.

Os prêmios em dinheiro totalizaram cerca de R$ 28 mil, distribuídos em seis categorias, com premiados de todo o Brasil e também do exterior. Em caricatura, o vencedor foi Paulo Sérgio Jidelt, de Santa Catarina. O melhor chargista foi Hiago Lucas Jaboatão, de Pernambuco. Já o colombiano Rául Fernando Zuleta faturou o primeiro lugar na categoria cartunista, e quanto aos quadrinhos, tradição no Salão, o prêmio ficou para a alemã Ridha Bonn. O melhor trabalho de Volta Redonda ficou com Leonardo Fontes Ferreira. Um fato curioso deste ano foi o tema “Operação Lava Jato”, que fez com que os participantes internacionais produzissem artes no sentido literal do termo. Ou seja, carros sendo lavados apareceram nas ilustrações, provocando ainda mais humor. O primeiro lugar da categoria Lava Jato também foi para o cartunista catarinense.

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