O padrão dos desejos da classe A

Mercado juiz-forano possui oferta de imóveis diversificada para atender público que, apesar de minoria, dita tendências de consumo

Por Gracielle Nocelli

05/10/2017 às 14h40 - Atualizada 05/10/2017 às 14h40

Apesar de representar uma pequena fatia da sociedade brasileira, cerca de 2%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o público da Classe A interfere diretamente nas tendências de consumo do país. Isso porque essa parcela da população é definida pelas famílias que possuem rendimento mensal acima de 20 salários mínimos e concentram em torno de 17% da renda nacional. Mesmo sendo uma parcela pequena, o poder aquisitivo é responsável por criar uma demanda – quase sempre personalizada ou, até mesmo, exclusiva – que o mercado trabalha para atender.

No ramo imobiliário, esses consumidores buscam os chamados imóveis “alto padrão”, que, de modo geral, são unidades bem localizadas, com projetos assinados por arquitetos renomados e que possuem acabamento com materiais de qualidade superior. Essas características, segundo especialistas, justificam o preço mais caro das moradias, que, em Juiz de Fora, custam a partir de R$ 700 mil. Segundo estimativa do setor local, o preço médio do metro quadrado de um imóvel alto padrão na cidade chega a R$ 8 mil, quase o dobro do valor médio praticado na cidade, de R$ 4.134, conforme a pesquisa mais recente realizada pelo Portal Agente Imóvel.

O preço médio do metro quadrado de um imóvel alto padrão na cidade chega a R$ 8 mil, quase o dobro do valor médio, de R$ 4.134

 

Do loft às mansões, a regra é sofisticação

A oferta imobiliária para a Classe A inclui imóveis de diferentes tipos e tamanhos. “Temos apartamentos menores, de um ou dois quartos, que se enquadram como alto padrão. Nesse caso, falamos de unidades que têm uma linha de integração maior entre os ambientes. O conceito arquitetônico é moderno, diferenciado e bem elaborado. São plantas flexíveis, que permitem mais de um arranjo”, explica o sócio-diretor da Bonin Arquitetura, Ueslei Bonin.

Bairros Bom Pastor, Santa Helena, Granbery e Jardim Glória concentram maior volume de apartamentos de alto luxo

Ele exemplifica que há famílias que sempre viveram em casas grandes e luxuosas, mas que, com a saída dos filhos, os pais procuram um lugar menor que mantenha o mesmo padrão de qualidade. “É um público que busca um espaço mais reduzido sem abrir mão do requinte e da sofisticação.”
Outro perfil que também procura o imóvel alto padrão com menor tamanho é o jovem executivo, conforme o consultor e projetista da VMS Arquitetura, Ricardo Miana. “É o consumidor que ainda não constituiu família e quer ter uma boa moradia, que seja bem localizada e, de preferência, perto do trabalho.” Segundo ele, é um nicho que vem despertando a atenção do mercado. “A demanda deste público é por apartamentos tipo loft ou stúdio.”

Enquanto no loft os ambientes compartilham um único espaço, sendo que o pé direito alto permite a instalação de mezaninos, o stúdio apresenta mais divisões internas: a cozinha americana é interligada ao ambiente social, mas o quarto é delimitado por paredes. Em alguns stúdios há até varandas.
As residências maiores também estão entre as preferências da Classe A. Na cidade, há apartamentos que oferecem cinco dormitórios, varanda gourmet, mais de uma vaga na garagem, dentre outras comodidades. As mansões localizadas em condomínios fechados também integram essa oferta diversificada.

Localização privilegiada é diferencial

A localização é um dos aspectos mais observados por este público na hora de adquirir uma residência. “Leva-se em conta se realmente o imóvel está inserido em um bairro nobre e que tenha outros no entorno com o mesmo padrão”, diz a diretora do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG), Andrea do Carmo Alves.  Os bairros Bom Pastor, Santa Helena, Granbery e Jardim Glória estão entre os locais que concentram maior volume de apartamentos. Já na região da Cidade Alta, estão localizados os condomínios fechados com casas.

Em Juiz de Fora, temos bons imóveis nessa linha private de alto padrão. Desde os quarto e sala até as belas mansões. A maior parte desses imóveis está disponível para a venda

Diogo Souza Gomes, vice-presidente da Associação Juiz-forana de Administradores de Imóveis (Ajadi) e diretor da imobiliária Souza Gomes

 

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Projeto personalizado está entre as exigências

Reconhecendo que este público tem o nível de exigência maior, a diretora do Creci-MG, Andrea do Carmo Alves, destaca a importância de o mercado se preparar para atendê-lo. “Os corretores devem sempre oferecer o que o cliente procura. É dever conhecer os desejos de cada um antes de oferecer um imóvel. A Classe A, geralmente, é muito exigente com o padrão, o conforto e a comodidade”, destaca. “O imóvel deve ser compatível com a condição e o perfil dessas pessoas e das conquistas que elas já tiveram.” Andrea destaca que outros aspectos são observados na hora da compra. “O projeto personalizado e a utilização de materiais de acabamento altamente duráveis e de ótimo desempenho também são características analisadas.”

Acabamento primoroso, valorização dos detalhes e projeto exclusivo são exigências de quem busca alto padrão

Na avaliação do sócio-diretor da Bonin Arquitetura, Ueslei Bonin, o projeto arquitetônico é crucial para definir um imóvel como alto padrão. “Esse é um conceito que pode variar de região para região. Essa definição pode ser diferente entre uma cidade do interior e São Paulo, por exemplo. Mas o fato é que não existe imóvel alto padrão com um projeto medíocre. A arquitetura é um dos principais argumentos de venda, uma das justificativas para o valor mais alto desses imóveis. Isso porque ela parte do princípio da personalização.”

De acordo com o vice-presidente da Ajadi e diretor da imobiliária Souza Gomes, Diogo Souza Gomes, “quem busca um imóvel alto padrão é o consumidor que dá valor aos detalhes, que quer um projeto exclusivo assinado por um arquiteto e que faz questão de um acabamento mais primoroso”.

 

Do alto padrão ao luxo

O imóvel alto padrão pode ser considerado de luxo, conceito mais subjetivo, segundo a avaliação da diretora do Creci-MG, Andrea do Carmo Alves. “Imóveis de luxo não podem ser definidos somente pelas características, mas pelas qualidades específicas para um objeto ou espaço que se parecerão com a individualidade de cada comprador. Podemos dizer que seria atender o que cada pessoa deseja e entende como desejo de luxo.”

Apesar disso, ela destaca algumas características em infraestrutura que podem contribuir para que o alto padrão seja considerado luxo. “Com todos os olhares voltados para a preservação ambiental, unidades construídas em ambiente preservado, com espécies nativas, nascentes, podem elevar o imóvel padrão ao luxo.”

O vice-presidente da Ajadi e diretor da imobiliária Souza Gomes, Diogo Souza Gomes, destaca outros aspectos. “O que é luxo para uns talvez não seja para outros. Mas, geralmente, imóveis de luxo são os que vão além do acabamento detalhado ou do projeto personalizado e se diferem ainda mais em relação à infraestrutura, como é o caso da presença de heliponto e concierge, por exemplo.”

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