Parque Nacional da Serra da Canastra, um tesouro de Minas

O Parque Nacional da Serra da Canastra guarda histórias e causos transmitidos através da oralidade entre os habitantes do local. Criado em 1972, o parque tem 71.525 hectares demarcados e parte do território dos municípios: São Roque de Minas (cidade mais próxima do parque), Capitólio, São Batista do Glória, Vargem Bonita e Delfinópolis, no Sudoeste de Minas Gerais.

Por Claudia Figueiredo

07/10/2017 às 07h00 - Atualizada 06/10/2017 às 17h51

O Parque Nacional da Serra da Canastra, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), guarda histórias e causos transmitidos através da oralidade entre os habitantes do local. É comum encostar em um dos balcões dos estabelecimentos da cidade de São Roque de Minas e ouvir relatos dos moradores sobre onças, emas, raposas e lobos Guará, e também histórias de quando as terras do parque eram divididas entre fazendeiros, que foram desapropriados. Alguns discutem na justiça, até hoje, o valor das indenizações.

Parque Nacional da Serra da Canastra Fotos: Claudia Figueiredo

Criado em 1972, o parque tem 71.525 hectares demarcados e parte do território dos municípios: São Roque de Minas (cidade mais próxima do parque), Capitólio, São Batista do Glória, Vargem Bonita e Delfinópolis, no Sudoeste de Minas Gerais.

Na época da criação do parque, em 3 de abril de 1972, o decreto nº 70.355 estipulava a área de preservação em aproximadamente 200 mil hectares, mas, com delimitação e desapropriação, o poder público o implantou com cerca de 72 mil hectares. No início da década seguinte, o plano de manejo da unidade de conservação, elaborado pelo extinto Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), excluiu as demais áreas (ao sul do parque), em especial o Chapadão da Babilônia. Ainda hoje, discute-se sobre a expansão dos atuais 72 mil hectares para 121 mil hectares de terras protegidas. Os 200 mil hectares originais estão valendo apenas no papel.

Parque Nacional da Serra da Canastra
Parque Nacional da Serra da Canastra

Nascente do Rio São Francisco

O principal objetivo da criação do Parque foi a proteção das nascentes do rio São Francisco, o curso d’água mais conhecido que brota no imenso chapadão em forma de baú ou canastra. A Serra da Canastra é uma espécie de berçário de rios, contribuindo para a formação das bacias hidrográficas do São Francisco e do Paraná. Da bacia do Paraná, um dos rios mais conhecidos que nascem no chapadão é o Araguari, também chamado de Rio das Velhas na parte inicial.

Nascente do Rio São Francisco
Nascente do Rio São Francisco
Rio São Francisco
Rio São Francisco
Rio São Francisco
Rio São Francisco
Rio São Francisco
Cachoeira de Casca D´anta

Com altitudes variando entre 900 e 1.496 metros, a primeira queda do Velho Chico mede cerca de 200 metros e leva o nome de Casca D´Anta, que pode ser visitada pela parte alta ou baixa. O nome vem da árvore Casca D’Anta (Drimys winteri) que, por sua vez, foi assim batizada porque que tem propriedades medicinais, cicatrizantes. Segundo os pesquisadores, o animal anta se esfrega no tronco da árvore para curar ferimentos superficiais.

Fauna e Flora

O cenário no Parque Nacional da Serra da Canastra é algo que não se esquece facilmente. O relevo é acidentado e, em alguns locais, o acesso é bem difícil. Há muitos jipeiros que fazem o passeio, levando até 4 pessoas pelo valor médio de R$ 150 por cabeça (valor cobrado em julho), a partir de São Roque de Minas. A vegetação rasteira, típica do cerrado, produz uma paisagem única, com grandes vistas panorâmicas e muitas cachoeiras, algumas acima dos 100 metros de altura.

Parque da Serra da Canastra
Parque da Serra da Canastra
Parque da Serra da Canastra

A vegetação também favorece a observação de animais selvagens, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará e o veado-campeiro. Outros bichos também ameaçados de extinção podem ser vistos, se a sorte ajudar, como a lontra, o macaco sauá e as três maiores e mais fascinantes: o tatu-canastra, o pato-mergulhão e a onça parda.

As áreas de campos e cerrados da Canastra exibem também o cachorro-do-mato, a siriema, a ema, o gavião carcará e o magnífico gavião-caboclo. Nas matas ciliares e nas fazendas, o show é do mico-estrela, dos quatis, do urubu-rei, do jacu, do tucano-açu e do canário-da-terra.

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Para conseguir avistar alguns desses animais as regras são fazer silêncio e dar preferência ao passeio no começo ou no final do dia. Por fim, há os locais estratégicos, pontos com registros de avistagem que só alguns guias e os visitantes mais experientes sabem identificar. Tivemos a sorte de cruzar nosso caminho com o guia João Belo, nascido e criado na Canastra, bom contador de causos e piadas e que conhece o parque como a palma de sua mão. Conseguimos ver o lobo-guará, que foi mais rápido que nosso clique e quatro lindos tamanduás-bandeira. Do tatu-canastra, só avistamos a toca. 

João Belo, nosso guia no Parque Nacional da Serra da Canastra
Carcará – ave de rapina
Carcará – ave de rapina
Tamanduá-bandeira
Entrada da toca do tatu-canastra

São mais de 6 mil espécies vegetais, mais de 800 espécies de aves e quase 200 espécies de mamíferos, segundo o Ibama. Uma estrada de 60 km corta o Parque de fora a fora e vias secundárias dão acesso a algumas das principais atrações, como o Retiro de Pedras (área da primeira fazenda instalada na região), a parte alta da cachoeira dos Rolinhos, o cânion do rio São Francisco e o Curral de Pedra, ruínas de uma antiga fazenda de uso temporário, geralmente no verão, quando o gado de leite era levado das partes mais baixas da serra para o chapadão. Os muros de pedra foram construídos sem argamassa, com imensos blocos de pedra arrastados com a ajuda de carros de bois.

E depois de andar o dia inteiro pelo Parque, nada melhor que sentar em um restaurante para comer e beber uma cerveja artesanal gelada.

Curral de Pedra

Ingresso

O Parque Nacional da Serra da Canastra pode ser visitado o ano todo, porém, a época ideal é de abril a outubro, pois o tempo está menos chuvoso, facilitando o acesso às atrações e tornando os passeios mais agradáveis. Nos períodos chuvosos, é preciso ficar atento às possibilidades dos leitos dos rios encherem rapidamente e às condições das estradas. Ocasionalmente, em casos de incêndios florestais, a unidade de conservação pode ser fechada ao público. O horário de funcionamento é de 08 às 18 horas, porém, a entrada nos atrativos é permitida até as 16 horas, ou, em horário de verão, até as 17h. O parque cobra ingressos para o público em geral, com desconto para brasileiros, de acordo com a tabela abaixo, referente a julho de 2017.

Mapa na Portaria 1 do Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas
Perfil do Visitante Valor do Ingresso (em Reais – R$)
Visitante estrangeiro 19,00
Visitante brasileiro ou estrangeiro residente no Brasil 10,00
Visitante brasileiro ou estrangeiro residente no Brasil, com idade de 60 anos ou mais, e crianças com 12 anos incompletos Não há cobrança

O endereço da sede administrativa é Av. Presidente Tancredo Neves, 498. São Roque de Minas / MG. A geolocalização de coordenadas é: Lat. -15.172464° e Long. -44.191932°.

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