Partidos tentam adequar seu perfil com novas propostas

Por Paulo Cesar Magella

12/08/2017 às 07h00 - Atualizada 11/08/2017 às 18h50

Volta às origens

A adoção do distritão será mais um fator de desprestígio dos partidos, pois os candidatos serão eleitos independentemente de legenda, bastando estar entre os mais votados. Por conta disso, torna-se necessária a discussão em torno de sua representação. Ante o desgaste, vários partidos discutem uma volta às origens, sob o pomposo título de refundação. Outros articulam mudança de programas e de nomes, como o DEM, e há, ainda, as novas legendas que se apresentam como portadoras de virtudes não encontradas nas atuais.

Novos caminhos

Em função disso, o Brasil já tem o Podemos, e o Partido Novo articula seu crescimento pelo país afora, inclusive em Juiz de Fora. A meta é romper com a velha prática política por conta do que ela produziu até agora: um Congresso corporativista e montado em torno de um balcão, no qual a troca de favores com o Governo de plantão – seja ele qual for – tornou-se rotina. O caso mais recente é o do Centrão, que já avisou ao presidente Michel Temer que precisa renegociar seu papel no Governo sob o risco de não apoiá-lo numa eventual nova denúncia do procurador-geral, Rodrigo Janot.

Café com leite

Os tucanos, que vivem o seu pior momento – numa luta interna que não estava nos planos, mas aguçada pelo surdo enfrentamento entre as bancadas de Minas e de São Paulo -, têm como discurso o parlamentarismo, a partir de 2022. Tal modelo já foi rejeitado por meio de plebiscito, mas o PSDB entende que a discussão foi mal formulada na ocasião. Mas não se trata de algo tão simples. O parlamentarismo de 1961, que teve Tancredo Neves como primeiro-ministro, foi uma única alternativa para manter João Goulart como presidente da República. Mas durou pouco.

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Velhos tempos

Até nas bases há discussões. Lideranças peemedebistas entendem que o partido, apesar de ser unido em Juiz de Fora, precisa reverberar sua força para o resto do estado. O primeiro passo seria unificar o discurso regional, a fim de apontar para os dirigentes estaduais que é preciso ouvi-los nas decisões, hoje centradas nas mãos do presidente Toninho Andrade e do deputado Adalclever Lopes. Uma eventual saída do deputado Rodrigo Pacheco, presidente da CCJ da Câmara Federal, seria fruto dessa falta de espaço numa eventual disputa pelo Governo estadual.

Paulo Cesar Magella

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