Duas séries boas, e uma muito ruim

Por Júlio Black

20/09/2017 às 07h02 - Atualizada 19/09/2017 às 15h46

Oi, gente.

Esta semana vamos falar de duas séries boas, e uma que merece ser esquecida ainda no ato da matrícula. Mas vamos começar pelo que é bom: algum ah migo leitor ou ah miga leitora ficou receoso(a) de acompanhar a estreia de “The leftlovers”? Eu fui dos céticos a deixar da lado a série da HBO quando ela estreou, em 2014, por dois motivos: o primeiro – e principal – era o nome de Damon Lindelof entre os produtores, afinal ele estava na equipe de “Lost” e até hoje estamos traumatizados com aquele final no estilo “A viagem”; o segundo era a trama com a maior cara de “Lost”, aquela história de que 2% da população mundial sumiu e o medo consequente de que tudo fosse um grande mistério com um desfecho besta.

Mas eis que resolvi assistir a “The leftlovers” depois do seu final, quando tanta gente começou a falar bem da história, e não me arrependi. Ainda que o mistério do suposto “arrebatamento” pairasse no ar, a série se concentrou em mostrar como quem ficou por aqui lidou com as perdas dos entes queridos, fosse por negação, automartírio, apego à uma religião ou o niilismo dos Remanescentes Culpados, aquela galera de branco que não falava nada, fumava como se não houvesse segunda-feira e ficava na porta das casas dos outros só pra encher o saco.

Outro lance legal da história é que ela mudava de cenário a cada temporada, gerando novas dinâmicas, personagens e apresentando mistérios que eram resultado do desaparecimento das pessoas, mas que não tinham pretensão de responder à grande pergunta do programa (“para onde foi toda essa galera?”), que surpreendentemente é respondida no excelente episódio final quando ninguém esperava por isso – na verdade, nem esperava mais por isso.

Também fechei a nova temporada de “Preacher”, que por aqui está disponível no serviço de streaming Crackle. A adaptação da insana, polêmica e blasfema série de Garth Ennis e Steve Dillon melhorou ainda mais neste segundo ano. Apesar das diversas liberdades em relação à obra original, a produção mantém o humor negro, a ironia, a violência e iconoclastia dos quadrinhos, com a procura de Jesse Custer, Tulipa e Cassidy por Deus (que abandonou o Paraíso) se concentrando em Nova Orleans.

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A segunda temporada é marcada ainda pela introdução de alguns dos personagens clássicos de “Preacher”, como o insano Herr Starr, o líder da organização Graal; o descendente direto de Jesus Cristo, que por causa dos cruzamentos entre pessoas da mesma família tem sérios problemas mentais; e o implacável Santo dos Assassinos. A produção não esqueceu de outro ponto importante da história publicada pela Vertigo nos anos 90, que é o passado de Jesse Custer sob o controle da família L’Angelle.

Mas nem tudo é alegria na televisão, e a decepção vem justamente com o nosso querido Seth MacFarlane. O criador de “Family guy”, “Ted” e “American dad” estreou na FX americana “The Orville”, série com atores de carne e osso que promete ser uma sátira a “Star Trek” mas que, na verdade, é um plágio descarado do clássico sci-fi. Os trailers anunciavam uma produção com toda cara de comédia, mas o que se viu no episódio piloto foi um Seth MacFarlane (que interpreta o personagem principal) realizando o seu sonho de comandar uma nave da Frota Estelar em um “episódio” ruim, mas muito ruim mesmo (até mesmo horrível, sendo sincero) de “Star Trek”, com uma ou outra piadinha que mal arranca um sorriso de canto de boca.

Se existe algo a se admirar em “The Orville”, foi a habilidade de MacFarlane em prometer uma coisa à Fox (dona do canal FX) e entregar outra bem diferente. É melhor fugir dessa roubada e esperar por “Star Trek: Discovery”, que chega semana que vem à Netflix.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

Júlio Black

Júlio Black

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