Um ano de IAEM, o que aprendemos?

Por Tribuna

27/07/2017 às 18:53hs - Atualizada 27/07/2017 às 18:53hs

Por Fernando Salgueiro Perobelli, Ramon Goulart Cunha, João Gabriel Pio e Gabriel Henrique Ribeiro Barbosa, Leandro Venâncio e Joyce A Guimarães

A inexistência de informações econômicas locais disponibilizadas de forma precisa e atualizada pode representar uma barreira no processo de gestão pública e privada. Com o propósito de fornecer um acompanhamento mais aprofundado da realidade dos municípios mineiros, o projeto de extensão Conjuntura e Mercados Consultoria (CMC) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) elaborou o Indicador de Atividade Econômica (Iaem), que completa um ano nesse mês.

O empenho dos discentes e docentes da Faculdade de Economia da UFJF tem sido perene, de modo que questionamentos e sugestões recebidas durante esse período vêm permitindo o aperfeiçoamento e o engrandecimento do projeto, com repercussões relevantes entre reconhecidas instituições, pesquisadores, investidores e jornalistas.

Iaem foi criado para monitorar, mensalmente, a evolução da economia nos 853 municípios mineiros. Para construção do indicador é levado em consideração um conjunto amplo de informações, especificamente 19.619 dados, disponibilizados a cada mês por diversos órgãos oficiais como Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços; Banco Central do Brasil e Secretária de Estado da Fazenda de Minas Gerais. A divulgação dos resultados é realizada no sítio da CMC por meio de um boletim, comumente na terceira semana do mês.

A partir dos últimos resultados, podemos notar que a atividade econômica dos municípios mineiros é diversificada, ocorrendo especialização na produção em algumas situações. No Sul de Minas, cerca de 80% dos municípios produzem café, sendo Patrocínio e Resende os dois maiores produtores do estado. Na região Metropolitana de Belo Horizonte, Nova Lima, Itabira e Mariana estão os municípios com maior capacidade de extração de minério.

Belo Horizonte, Uberlândia e Juiz de Fora possuem uma elevada diversificação das suas atividades, o que faz com que esses municípios sejam menos afetados pelas crises. Oscilações econômicas mensais estão diretamente associadas à dependência produtiva da região, como pôde ser observado nos períodos de safra e entressafra em municípios especializados na produção agrícola, por exemplo.

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Após um ano de criação do Iaem, o retorno obtido pelo indicador tem sido positivo, e o esforço para a sua manutenção permanente. Em termos gerais, notamos que o padrão de distribuição da atividade econômica no estado tem se mostrado altamente desigual, o que tende a aumentar a concentração de renda.

Os ganhos de economias de aglomeração e o acesso à infraestrutura são barreiras para a desconcentração espacial da atividade econômica e reforçam a centralização nas regiões mais desenvolvidas, o que constitui o maior obstáculo para uma política eficaz de desenvolvimento regional. Ao proporcionar o monitoramento mensal da economia dos municípios mineiros, acreditamos que o indicador represente um importante instrumento de apoio à tomada de decisão e formulação de políticas de desenvolvimento regional, permitindo melhorias significativas na alocação de recursos escassos.

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