Comprar, alugar, investir?

Por Joyce Guimarães, Juliana Laurindo, Cristhian Silva, Miguel Araújo, Kamilla Menezes, Bruno Perry, Vinicius Viegas, Joana Costa, Tamara Stephani e Vinícius Versiani

Por Tribuna

26/09/2017 às 07h00 - Atualizada 25/09/2017 às 17h12

O sonho de adquirir a casa própria é comum a muitas gerações de brasileiros. Entretanto, financiamentos longos, com parcelas que cabem apertadas no orçamento e falta de planejamento quanto às possíveis mudanças de médio e longo prazo, podem transformar o sonho em pesadelo. Para reverter esse quadro, a educação financeira, algo ainda pouco explorado nas decisões cotidianas das famílias brasileiras, é o caminho.

Poucos sabem, por exemplo, que a aplicação em renda fixa é uma boa alternativa para alcançar o montante necessário à quitação de imóveis em prazos mais curtos. Considerando o valor médio do aluguel em relação ao valor do imóvel, torna-se perfeitamente possível que a pessoa continue morando de aluguel enquanto investe o dinheiro que sobraria, caso estivesse pagando um financiamento, numa aplicação conservadora com juros próximos a 7,25% a.a. (projeção Focus para 2018).

Vamos usar o exemplo de uma pessoa que pretenda morar em um apartamento com valor de mercado de R$ 400 mil. O valor atual do aluguel de um imóvel desse porte seria de R$ 1.360 (corrigidos pelo IGPM), enquanto o valor de um financiamento de 240 meses (20 anos), com uma entrada de 20%, começaria na casa dos R$ 4.000 e decairia conforme o parcelamento SAC.

Ao optar pelo aluguel, a pessoa poderia investir essa diferença (R$ 2.640) numa aplicação conservadora, acumulando, ao final dos 240 meses, R$ 1,12 milhão. Considerando que a valorização média de um imóvel no Brasil é de 1,23% a.a. (segundo índice FipeZap), o imóvel desejado estaria valendo, após 20 anos, cerca de R$ 630 mil, sendo o valor acumulado suficiente para adquirir quase dois imóveis ao invés de um ou comprar o imóvel à vista em cerca de nove anos (ao invés dos 20 anos iniciais).

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Opções de investimento como essa do exemplo não faltam na economia. Para um investidor de perfil conservador, CDB’s, LCI’s, LCA’s e Letras Financeiras são oferecidas por muitos bancos e corretoras, todas com garantia do FGC de até 250 mil por CPF. Para aqueles com maior apetite por risco, os fundos de ações e fundos de investimentos imobiliários são uma boa opção. Estes últimos permitem que pequenos investidores adquiram frações de um shopping, prédio comercial, ou qualquer outro investimento imobiliário, em troca de um “aluguel mensal”, além da valorização.

A escolha por financiamentos que duram décadas e comprometem grande parte do orçamento familiar acabam por limitar as decisões financeiras das famílias. Na teoria econômica, chamamos os rendimentos perdidos com a compra financiada a longo prazo de “custos de oportunidade”. Por outro lado, adquirir um imóvel à vista, especialmente se for a tão sonhada casa própria, pode ser um bom negócio, desde que um bom desconto (algo próximo a 7% a.a.) seja exigido. Racionalmente falando, comprar imóveis que se valorizam na casa de 1% a.a. enquanto aplicações conservadoras rendem 7% a.a. não é um bom negócio. Entretanto, como escolhas são sempre subjetivas, ao fim e ao cabo, o mais importante é estarmos felizes com as nossas, desde, claro, que elas sejam financeiramente saudáveis.

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